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Distrito de Bragança // Escola para pais Por: Ana Preto / Secção: Actual / 30-05-2009 · 11 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Preto
Projecto inovador destina-se sobretudo a treinar competências e prevenir situações de risco

Os pais que têm filhos com necessidades educativas especiais, podem, desde a passada semana, frequentar em Bragança a Escola de Pais de Bragança, cujo principal objectivo é formar aos pais na área das competências parentais e educação emocional. Este é um projecto nascido de um trabalho desenvolvido no distrito pela educadora Celmira Macedo, no âmbito da sua tese de doutoramento, que teve o apoio inicial do Agrupamento de Centros de Saúde do Nordeste. Neste momento outras entidades, como a Segurança Social, a Escola Superior de Saúde, Instituições Particulares de Solidariedade Social, entre outras, então envolvidas no projecto. Após esta primeira turma, que funciona na Escola Superior de Saúde, em Bragança, a escola terá lugar em outros concelhos, e está aberta à participação de todos os pais, técnicos de educação, psicólogos, sendo que 50 por cento dos formandos por turma têm que ter filhos com necessidades educativas especiais. Esta é uma escola inovadora, que traz para a educação especial o conceito de educação emocional (com origem nos Estados Unidos) para pais de crianças ou jovens com necessidades especiais. “Está a ser muito implementada em Espanha, mas a nível da educação, trabalhar a educação emocional nas crianças e nos professores, programas de educação emocional para famílias de jovens rebeldes, mas não para famílias com crianças com necessidades especiais” explicou Celmira Macedo. Os pais destas crianças apresentam um fragilidade emocional muito grande. “É um grupo de risco, que tem mais possibilidades de ter tenções emocionais, abrir espaço a que se instalem emoções negativas, com a falta de serviços, falta de terapias para as crianças, a falta de estruturas financeira. Tudo isto acarreta um conjunto de emoções negativas que ao longo da vida se vão acumulando dentro de nós e nos vão fazendo mal e a escola tem este carácter preventivo”, sublinhou a formadora. O objectivo é evitar que os pais se sintam incapazes de lidar com os seus problemas específicos. A escola será sobretudo um lugar onde as pessoas poderão falar, partilhar experiências e encontrar ferramentas para lidar com os problemas. “É uma coisa boa para conversar com os outros pais e ver o problema dos outros meninos. Em casa sou só eu, o meu marido e os meus filhos, não temos mais nenhum apoio”, referiu Alice Vaz, uma das mães que está a frequentar estas aulas. Merência Macias São Pedro, outra das mães, espera que a escola a possa informar ao nível dos serviços de saúde e das opções de vida que o seu filho poderá ter. “Ele está a precisar ter um espaço para estar ocupado, porque fez o 12º ano, tem o curso de informática técnica. Já oferecemos por várias vezes arranjar um pequenino trabalho, nem pensámos em salário, ofereceu-se de voluntário, e nem isso conseguimos”. Esta mãe está preocupada sobretudo com o futuro. “Estou já na carreira dos 50, ele tem 22 anos e passa muitas vezes pela cabeça o que será dos nossos filhos mais daqui a alguns anos. Se nós soubermos alguma coisa que nos podem indicar, gastamos os dias mais tranquilos e satisfeitos”, explicou. Sendo que cada casa é um caso, as respostas têm também que ser diferenciadas. Cada pai terá oportunidade de expor o seu problema e aprender a lidar com ele. “Imagine uma pessoa pode ter uma criança trissomia 21, autismo... Vamos aprender todos a lidar com estas crianças, apostar na autonomia, porque há crianças que podem ser autónomas, enriquecer as famílias, capacitá-las para serem elas próprias a tomar conta da situação em casa e a serem elas a procurar os recursos fora do sistema familiar”. As turmas da escola de pais são constituídas no máximo de 20 formandos por turma, porque existem aulas que requerem uma intervenção especial. “Há alturas em que vamos ter sessões de relaxamento, e outras actividades que é preciso estar com cada um. Vamos fazer entrevistas, vamos buscar informação e ver em cada caso que podemos fazer”. Em Bragança, esta primeira turma já em funcionamento, conta com apoio de voluntários que se disponibilizaram a ficar com as crianças enquanto os pais frequentam as aulas.

Associação de Pais

A escola é apenas uma das componentes de uma resposta que pretende ser mais abrangente, com a criação de uma associação de pais de crianças com necessidades educativas especiais. A associação está a fase de constituição e necessitará de um espaço. Se a Escola Superior de Saúde cedeu espaço para a realização das aulas e para recolher as crianças enquanto decorre a aula, a associação irá necessitar de um espaço autónomo. Celmira Macedo pediu desde já o apoio da Câmara Municipal de Bragança. “Estamos a solicitar à Câmara esse projecto. Sabemos que há escolas que vão ficar devolutas, agora em Setembro. Está-se a criar um agrupamento e vamos tentar que um desses espaço seja para nós”, disse a formadora. A associação terá uma vertente de apoio à família, pretendendo ser uma plataforma a partir da qual as famílias possam resolver vários problemas de índole burocrática ou outros. O objectivo é também criar um espaço que possa facultar várias terapias que até ao momento não existem no distrito, nem na região. A formação para jovens maiores de 18 anos deverá ser outra das apostas dos pais.

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11 Comentários Feed

pedagogo · escreveu em 30-05-2009 às 11:31:30
Há pais que bem precisam...
Carla Alexandra Oliveira Barbosa Alves · escreveu em 30-05-2009 às 20:39:39
o meu filho chama-se Tiago, tem 13 anos e é uma criança com necessidades educativas especiais. gostava de frequentar a escola de pais, mas devido ao meu emprego não tenho facilidade de me deslocar até Bragança, pelo que gostaria que a escola de pais podesse vir até Mirandela, onde existem muitas crianças nesta situação.
Duarte Rodrigues · escreveu em 03-06-2009 às 20:04:25
Carla, não se preocupe que já está previsto a Escola funcionar na Princesa do Tua.
Para tal é fundamental que os pais se organizem e criem um grupinho entre 10 e 20 pessoas.
Neste momento temos um casal de Mirandela a frequentar a Escola. Porque não os contactam?
Eu posso servir de intermediário. (rei.dondo@gmail.com)
Um abraço de solidariedade
Duarte
Luísa Oliveira · escreveu em 15-06-2009 às 14:55:11
Vivo na ilha da Madeira. O meu filho chama-se André tem 13 anos e é uma criança com necessidades educativas especiais. Muitas vezes sinto-me muito tensa com os nervos à flôr da pele, deprimida nestas alturas sei que nâo estou a dar o melhor apoio e ele sente-o e tudo fica mais dificil. Muitas vezes tenho uma vontade enorme de falar......... O tema lidar com as emoções é fundamental. Haverá alguma maneira de eu poder vir a beneficiar desta iniciativa. Obrigada Melhores cumprimentos Luisa Oliveira
"Aluno" · escreveu em 16-06-2009 às 21:34:33
É certo que há pais que bem precisam, mas há professores e profissionais de saúde que também bem precisavam...
Iara Nogueira Lima · escreveu em 30-06-2009 às 22:11:30


Olá gostaria de obter maiores informações há onde eu posso ter ajuda dos direitos dos pais da criança especial.
Sou mãe de uma criança com paralisia cerebral, e trabalho.
Sou funcionaria publica, como vocês sabem a criança com necessidades especiais requer um cuidado mais direncionado, as consultas medicas são constantes.
Meu filho precisou fazer uma cirugia, e eu precisei faltar. Tenho direito a abonadas mas no entanto entrou uma nova chefia que esta pegando no meu pé até ja tentou me transferir dizendo que não pode contar comigo, quando vou ao medico pego atestato e declaração. Me ajudem por favor , informando os meus direitos, e aonde eu possa ir.
Sou funcionaria Publica do Estado de Sao Paulo concursada.
Obrigada
Carla Alexandra Olivdeira Barbosa Alves · escreveu em 07-07-2009 às 23:05:00
Fico muito contente que a escola de pais venha para Mirandela, e agradeço em meu nome e em nome de todos os pais, pois bem precisamos de um apoio. Conheço um casal de Mirandela, os pais da Mariana que já frequentam a escola em Bragança, e eles dizem que lhes tem feito muito bem. espero poder receber o mesmo apoio. eles também me falaram da associação leque e gostaria de obter mais informações a esse respeito.
Celmira Macedo · escreveu em 13-07-2009 às 19:05:40
Olá a todos.
Sou Celmira Macedo, a criadora do Projecto "Escola de Pais" e da Associação "Leque" em Bragança.
Se quiserem saber como funciona, e como poderão beneficiar deste projecto, aqui fica o meu contacto:
celmiramac@gmail.com
Teresa Costa · escreveu em 08-12-2009 às 16:22:48
Celmira dou-te os meus parabéns por esta iniciativa e por tantas outras que tens tido.A Educação Especial precisa de Muitas Celmiras para ser mais valorizada e ter oportunidade de chegar a todas as crianças e pais de todo o país que tanto apoio precisam. Um beijo da tua colega de curso.
Ana Rodrigues · escreveu em 21-04-2010 às 14:21:49
Exmº Senhor,

Somos um grupo que está a fazer um Mestrado em Ciências da Educação – Especialização em Intervenção e Desenvolvimento Comunitário (no Instituto Politécnico de Leiria), tendo que fazer a análise de um Projecto existente na comunidade para a Unidade Curricular de Pedagogia Social e Desenvolvimento Comunitário. Tendo tomado conhecimento do Projecto por vós desenvolvido “Escola de Pais", o qual consideramos bastante interessante, gostaríamos de saber se haveria disponibilidade da vossa parte para nos cederem este projecto assim como a toda a informação sobre o mesmo para que possamos analisar.
Posteriormente gostaríamos de estabelecer um contacto presencial para verificação do projecto no terreno.
Desde já agradecemos a atenção dispensada,
Somos
Ana Rodrigues
Teresa Ferreira
Fátima Neves
Cármen Cordeiro
rosaria trigo afonso · escreveu em 27-05-2010 às 22:47:40
tenho uma filha de 4 anos que tem um atraso no desemvolvimento ,nao dorme e ainda nao fala gostaa de saber se me podem indicar onde devo ir com ela para que me possam esclarecer o que fazer


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