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Um século depois, a batalha de La Lys ainda deixa marcas em quem sobreviveu à Grande Guerra

AGR em Qui, 05/04/2018 - 09:14

A poucos dias de se assinalarem cem anos de um dos acontecimentos mais trágicos da história militar portuguesa, o Mensageiro de Bragança conta-lhe algumas das histórias marcantes. 

Maria Beatriz Abreu ainda hoje se emociona quando fala do avô José Marcelino, desaparecido faz na segunda-feira cem anos, naquela que ficou conhecida como a batalha de La Lys. Um avô que não conheceu, que foi voluntário do Corpo Expedicionário Português que entre 1917 e 1918 combateu ao lado de britânicos e franceses na I Guerra Mundial, na Flandres (atual Bélgica).

José Marcelino foi um dos 1932 portugueses que desapareceram. A batalha decorreu numa planície pantanosa banhada pelo rio Lys. As forças portuguesas assumiram a disposição de um trapézio, cuja face voltada para o inimigo se estendia por 11 quilómetros, e dispuseram-se em três linhas de defesa. Este foi um dos mais sangrentos confrontos em que esteve envolvido o CEP, que aqui teve as seguintes baixas: 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7440 prisioneiros.

“Apesar de ser de Bragança, integrada um regimento de Beja”, conta Maria Beatriz Abreu que, tal como a sua mãe, nunca conheceu José Marcelino. O 2º Sargento (promovido a Capitão já na Flandres) embarcou a 7 de agosto de 1917, com 26 anos, deixando em Bragança a esposa grávida da filha (acabaria por nascer em fevereiro), dois meses antes da batalha.

Ao longo de quase um ano, escreveu para a família, ao ritmo de quase uma carta por dia. “Queixava-se, sobretudo, da falta de resposta da minha avó. Mas também falava de algumas coisas que por lá lhe iam acontecendo”, contou Beatriz Abreu ao Mensageiro.
A ausência de notícias do avô e os rumores de que teria ficado por França, mutilado e com vergonha de regressar a casa – “uma situação comum na altura” – marcaram sempre esta família brigantina, uma das que se viu afetada por um conflito que arrastou para a Guerra muitos homens transmontanos.

Ao todo, terão sido mais de 1200, integrados, sobretudo, no Regimento de Infantaria 10 (aquartelado no castelo) e no Regimento de Infantaria 30 (aquartelado no Forte de S. João de Deus, onde atualmente se situa a Câmara Municipal).

 

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