Mudar, continuar ou recomeçar!...

Quando um termina e outro começa, é hábito celebrar essa transição, numa perspetiva de mudança, ou recomeço, sendo certo que não se tratará mais do que um simples continuar. A mudança de ano não será, no essencial, mais do que uma mera alteração de calendário. Certamente que mudanças e recomeços, acontecem, até pelas formalidades de novos orçamentos, novas leis, etc. Porém, a vida continua, as pessoas são as mesmas e as relações interativas acabam continuar da mesma forma, acontecendo, simplesmente, do modo como queremos e nos colocamos a “jeito” para que aconteçam.
Mudar, continuar ou recomeçar, são, pois, questões, na minha perspetiva, de menor importância se não passarem da mera anotação cronológica, se o espírito de mudança, ou recomeço, não emergir de dentro de cada um de nós.
Obviamente que o início de um novo ano acaba por influir uma ideia de recomeço, de algo diferente para melhor, de reflexão sobre o passado, numa perspetiva de otimismo e esperança, na convicção de que nós e a vida, vamos ser diferentes. Porém, estes desafios assentam, quase sempre, na gestão da continuidade, perante uma nova etapa da vida. E é nessa descoberta do quotidiano que poderemos redescobrir uma nova vida, uma nova forma de ser e estar, sustentada nos valores do amor, da tolerância, da solidariedade e do respeito pelos outros e pelos seus valores religiosos, formativos e educativos.
Nesta celebração contínua do triunfo da vida, com desafios permanentes de mudança, o que nos deve fazer refletir e evoluir positivamente, não deve ser, a mudança de ano, simplesmente. Mas sim a força interior, da alegria, do otimismo, da fraternidade, do humanismo, a que devemos dar vida continuamente, abraçando a esperança que Deus nos oferece em cada dia da nossa vida, na multiplicidade de interpelações, contrariedades com que nos deparamos.
Neste contexto, temos de olhar o mundo, a comunidade e os ambientes em que nos movimentamos, de modo a que a mudança seja alívio e esperança, fomentadora da justiça e o bem-estar.
Assim, é importante que cada início ou recomeço sejam potenciadores do despertar para um novo olhar, de modo a que não nos alheemos, não finjamos, ou não assobiemos para o lado, quando podemos agir, intervir, em situações, novas ou velhas, com olhos positivos de solidariedade e esperança, procurando descobrir novas oportunidades, novos caminhos para o BEM. 
Torna-se, pois, imprescindível descobrir ou redescobrir a alegria de ser e viver em comunhão, sobretudo enfrentando situações de crise, tornando-nos socialmente mais ativos, assumindo responsabilidades pessoais e coletivas, sobretudo na valorização dinâmica das comunidades onde nos inserimos e devemos incluir, incluindo.
Estes interessantes desafios de mudança, de aposta na valorização do ser humano, devem sobressair sustentados numa postura de altruísmo consistente e consciente, tendo em conta que não viemos ao mundo para assistir impávida, negligente e pilateanamente, mas para participar ativa e conscientemente na mudança de atitudes responsáveis, sobretudo em relação a problemas concretos, procurando caminhos de solução.
Que ano novo suscite em todos um despertar contínuo para a promoção de uma sociedade mais aberta, participativa, harmoniosa e feliz, vivendo e sentindo a cidadania de maneira positiva, criativa e ativa.