A opinião de ...

Papa pede uma política ao serviço da Paz

No início de cada novo ano, celebra-se o Dia Mundial da Paz. Foi Paulo VI que o instituiu e celebrou pela primeira vez a 1 de Janeiro de 1968. Desde então, é publicada uma mensagem, alusiva esse dia. Este ano o Papa Francisco critica os maus políticos e deixa um apelo para que se fomente a “boa política” que promova a paz.
A crítica simplista dos políticos abre caminho aos populismos que campeiam pela Europa e pelo mundo. Estes, como sabemos, começam por denunciar os defeitos das democracias para justificar o seu autoritarismo, e, quase sempre, terminam na ditadura.
O Papa, apesar de deixar as suas críticas, não se comporta como os que exploram os descontentamentos com a classe política para impor ideias, semear a xenofobia, agitar a bandeira do nacionalismo e capitalizar receios em benefício dos seus projetos totalitários.
Na verdade, lendo-se a mensagem do Papa, verifica-se que ele denuncia muitos dos vícios da política atual. Desde logo, “a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal”. Só que o Papa condena também aquilo que muitos dos populistas defendem: “A justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da ‘razão de Estado’, a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio”.
Na sua mensagem o Papa não fala só dos desmandos dos políticos. Aliás, o seu principal objetivo é falar da “boa política”. Com efeito – escreve o Papa – “a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, pela liberdade e pela dignidade das pessoas, a política pode tornar-se uma forma eminente de caridade”.
O Papa declara bem-aventurados os políticos que têm “uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel”. Os políticos que são credíveis, que trabalham para o bem comum, que realizam a unidade, que estão comprometidos na mudança, que sabem escutar e que não têm medo. São esses os atores da “boa política” e os garantes da paz no mundo.
Os outros são os que recorrem à “estratégia do medo”, de dividir para reinar. O Papa denuncia que “não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança. Ao contrário, deve-se reafirmar que a paz se baseia no respeito por toda a pessoa (...), no respeito pelo Direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas”.
Conclui o Papa que “a paz é fruto de um grande projeto político!” A Europa e o mundo precisam de grandes estadistas que se movam assim na política, políticos com a dimensão dos que lançaram o projeto europeu.
Votos de um Feliz Ano de 2019! Que ele favoreça os políticos de hoje, iluminando-os nos caminhos da “boa política”!

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3711