Voltar à Escola!...

Setembro é mês de pensar na escola, do voltar à escola. Depois de umas ferias vividas com mais ou menos intensidade, é volvido o tempo para que, crianças, jovens e adultos possam acolher os saberes que a escola tem para dar. Ter a mente disponível para receber mais conhecimentos, ganhar capacidades e adquirir competências, é determinante para o sucesso nos tempos que correm, sendo certo que sabedoria é muito mais importante e personalizada que outras riquezas. Que tem conhecimentos, tem competências, tem tudo. Portanto, voltar à escola, frequentar as atividades escolares e formativas, deve fazer parte das prioridades da vida, ao longo da vida.
Ora, este pensamento, faz-me recordar os tempos em que integrei, como docente, durante vários anos, as atividades da então designada Educação de Adultos, desenvolvidas em diversos contextos, sobretudo no contexto prisional.
E neste recuar no tempo, entre as múltiplas experiências profissionais e as aprendizagens que me foi possível adquirir, mesmo no contacto com os chamados analfabetos, não posso deixar de lembrar a importância que era dada às celebrações do Dia Internacional da Alfabetização. O dia 08 de Setembro.
Trata-se de uma data que alertava, e deve continuar a cumprir essa objetivo, para necessidade da alfabetização, da escolarização, da aprendizagem, da formação e promoção de competências, académicas e profissionais, sustentando a implementação de um política educativa que tinha como principal objetivo o combate ao analfabetismo literal e regressivo, bem como a aquisição de competências profissionais. Era colocado na agenda o envolvimento institucional e comunitário convergente, na tarefa de escolarizar e formar adultos. De potenciar não só a sua iniciação à aprendizagem da leitura e da escrita, como também o reforço dos conhecimentos académicos.
Devo dizer toda esta envolvência laboral, partilhada com muitos outros docentes, constituiu para mim um desafio interessante e motivador, até porque propunha a reflexão, a mudança de estilos de vida, o compromisso pessoal e coletivo, o potenciar de novas convicções, desenvolvendo atitudes, de sociedades mais esclarecidas e instruídas. Ou seja, um mundo melhor, mais justo, sustentável e solidário, esbatendo as desigualdades e melhorando as competências para oportunidades e esperança portadora de um futuro diferente.
Naturalmente que muito foi feito neste domínio. Porém, não obstante o esforço desenvolvido, fico com a ideia que continua ainda muito por fazer e que a filosofia inerente à Educação de Adultos acabou por se esbater, ou mesmo desaparecer. Daí que, o Dia Internacional da Alfabetização seja, agora, uma data que está longe de merecer o mediatismo e a projecção, para não dizer o interesse, de outros tempos não muito distantes, no nosso país, na nossa região. Todavia, o índice de analfabetismo continua a ser preocupante, sobretudo no que diz respeito à regressividade, que me parece acentuada, o que não favorece o desenvolvimento de uma sociedade que se pretende esclarecida e bem preparada.
Tendo sido, eu próprio, um testemunho do “voltar à escola”, não posso deixar de aproveitar este período para sensibilizar os leitores, para os benefícios da aprendizagem ao longo da vida, entendendo que nenhum adulto se deve desligar da escola, nunca desistindo de aprender, de acreditar que é possível dar mais um valor à vida de uma forma arejada e esclarecida.