António (de novo)

A revista Visão trouxe, num dos seus últimos números, um artigo sobre as obras na praia D. Ana em Lagos. Veio-me à memória, de imediato, a minha primeira crónica em Fevreiro de 2007 sobre trabalhos idênticos a estes, na praia da Costa da Caparica apoiadas por ambientalistas que se opunham ao início da construção da Barragem do Baixo Sabor. A comparação é inevitável. Embora com cores ainda mais carregadas, embora com resultados confirmados sobre o que em fevereiro de 2007 eram apenas suposições embora com enorme dose de previsibilidade, da minha parte, que o tempo acabou por confirmar.
E se nessa altura me preocupava a dualidade de avaliação por parte de alguns grupos oriundos, curiosamente, na sua maioria, do litoral sobre os investimentos que na faixa lusitana ocidental e sulista são benéficos e nunca agridem o ambiente, em contraposição com os que no nordeste padecem de enfermidade congénita que os amaldiçoam à nascença e os reduzem à ínfima existência no que se refere ao montante e os exponenciam ao máximo nos malefícios que lhes são atribuídos.
Em 2007 eram incontáveis os crimes ambientais e as malfeitorias que a planeada barragem trariam ao nordeste em particular e ao país em geral e mesmo ao mundo conhecido. Nenhum dos cenários catastróficos se confirmou e por isso (só por isso) a barragem foi feita! Por outro lado as urgentes cargas de areia na Caparica resolveriam, de vez, todos os problemas que a selvejaria marítima (só a selvejaria fluvial é boa!) ameaçava e o tempo veio dizer que não. Para além da areia foi necessário um paredão e vários esporões.
 
Na praia da D. Ana foram gastos mais de dois milhões de euros em recargas de areia no verão de 2015 que, ainda o ano não tinha terminado, já o mar tinha engolido total e inexoravelmente. E ainda faltam os ventos fortes que agravarão a situação, garante quem sabe.
Simultaneamente, em Moncorvo, de novo e mais uma vez, “crimes e agressões ambientais” que poucos vislumbram e ainda menos conhecem estão a impedir a instalação de um parque eólico de aproveitamento energético. Mais do que a injustiça e desigualdade gritante de tratamento, revolta-nos o que começa a ser um hábito de “julgamento”.
 
Estou certo que, contudo, tal como aconteceu no passado, em que a ação determinada e teimosa do autarca moncorvense igualmente o atual Presidente da Câmara não permitirá tal boicote, em nome da população que o elegeu, tal como o apoio unânime e expontâneo de todos os membros da Assembleia Municipal demonstrou na última reunião onde o assunto foi abordado.