Catrogas...

Os ideais norteadores do posicionamento cívico perseguem-me desde sempre, mantêm-se inalterados desde o assumir da consciência. O enquadramento em determinado movimento político, sem filiação, colou-me, em dois grupos económicos distintos, etiqueta de reaccionário e comunista. De sempre, desde o vinte e cinco de Abril, o PS, da esquerda democrática, carrega esta cruz.
Um dos objectivos da Revolução dos Cravos, o da Igualdade, se conseguido, mesmo que por aproximação, engrandeceria Portugal e levaria para lá das águas os Heróis do Mar que tanto nos orgulhamos de ser.
Mas não, é a partir da data do bloqueamento do Tanque, heroicidade de um Povo executada pelo esquecido Salgueiro Maia, que se dá inicio ao cavar do fosso Desigual.
Lá, no sótão da Universidade do Porto, ali para os Leões, no iniciar do curso de economia, na cadeira de Direito Civil/Parte Geral fui confrontado com uma palavra inatingível, Equidade. Dizia então o mestre que se tratava do “Direito Moral”.
Estes quarenta anos haveriam de demonstrar o triste destino quer do Direito quer da Moral.
As Corporações, cerne ou núcleo das nossas desgraças, foram os coveiros do fosso desigual que, á custa da força filiada, conseguiram os diferenciadores Direitos Adquiridos, negados ao outro lado da moeda, sem força reivindicativa, mas em muito maior número. Os Sindicatos politizados comandados por eternos apegados a cadeiras inquebráveis, alheios ao evoluir dos tempos, puxaram apenas a carroça dos direitos dos funcionários públicos, atrelados ás Divinas Corporações.
Salazar e Caetano desenharam a Organização do Estado, competiria à democracia alteração adequada e equitativa. Eis algumas das matrizes do fosso, o tal onde navegavam as águas desiguais:
- Os Funcionários Públicos podiam reformar-se, muitas das classes a partir dos cinquenta e dois anos com cem por cento do ordenado bruto enquanto os Privados apenas se poderiam reformar aos sessenta e cinco mas com oitenta por cento.
- Os do Publico tinham direito ás mordomias da ADSE enquanto os do Privado á descida aos infernos da Segurança Social.
- Os do Publico trabalhavam trinta e cinco horas semanais e os do Privado quarenta horas.
- Os políticos de toda a espécie teriam Reforma por inteiro com direito a acumulação se pertencendo a duas legislaturas e direito a um subsídio de reintegração na sociedade civil enquanto a maioria das gentes contribuiria apenas para essa concretização.
- A acumulação e atribuição de reformas/pensões parciais, subvenções vitalícias, antes dos quarenta anos de serviço e sem sessenta e cinco anos de idade são um ultraje a todos os outros, o imenso mar dos humilhados e desacreditados da democracia, os desempregados de toda a espécie, o exército que faz as delícias dos Benfeitores Caridosos.
Aqui chegados eis que, por altura do resgate, um senhor de cabelos brancos, sem bola de cristal, filosofou que o mal de tudo era a gordura que escorria da panela do poder. Bastaria limpa-la e Aladino afogar-nos-ia em ouro. Pelo sim pelo não, com medo do besunto sentou-se em alta cadeira rodeada de petróleo, rico detergente.
Quando questionado a razão pela qual o corte não começava pelos diferenciadores direitos desiguais o mago respondeu, isso são Catrogas….