A decisão do Banco Central Europeu

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou uma mediada que vai ter um enorme significado na politica económica europeia e também no nosso País.
A partir de Março deste ano e, pelo menos, até Setembro de 2015 o BCE irá comprar títulos de dívida pública aos bancos a um ritmo de 60 Mil Milhões de euros por mês.
Os bancos podem utilizar esse dinheiro para comprar outros ativos financeiros ou para emprestar às empresas e às famílias, o que irá favorecer o aumento do rendimento disponível, do consumo e do investimento.
Por outro lado, esta medida vai provocar mais inflação, o que nas atuais circunstâncias afasta um perigo, que seria a zona euro ter uma inflação negativa. Se isso acontecesse todos iriam passar a querer aforrar, ninguém emprestaria a ninguém, e ninguém investiria. Foi o que durante muitos anos aconteceu no Japão. Uma evolução nesse sentido arrastaria consequências trágicas, não só domínio do económico mas também no social, nomeadamente através do forte agravamento do desemprego.  
Esta medida vai também provocar um abaixamento do euro em relação ao dólar, o que é positivo para o aumento das nossas exportações para fora da Europa, dado que ficam mais baratas para quem importa.
Com a entrada em vigor desta medida as taxas de juro irão baixar. E isso é bom para o nosso País, pelos efeitos que acarretará na diminuição dos juros de dívida a pagar, e, por essa via, na diminuição do défice orçamental e na criação de condições para um abaixamento dos impostos. 
Esta medida anunciada pelo BCE tem uma leitura política clara, que pode ser resumida no reconhecimento de que a política económica que vem sendo seguida nos últimos anos falhou. De facto, no caso do nosso País, os últimos quatro anos foram anos que corresponderam a uma perda de valor considerável e vistas as coisas deste modo trata-se de uma derrota dos defensores das políticas defendidas pela Alemanha e, acrescento eu, uma vitória para toda a zona euro.
No fundo, a Alemanha tem um grande receio de ter de vir a pagar o défice público de outros países. Por isso é que ficou consagrado na decisão tomada pelo BCE que, no caso de os países entrarem em incumprimento, só 20% dos custos seriam repartidos por todos e 80% pelo banco central do respetivo país.
Penso que esse receio da Alemanha não tem fundamento porque, por exemplo no caso de Portugal e Espanha as poupanças são mais elevadas que os respetivos défices orçamentais.
Há quem diga que este tipo de medidas são úteis e necessárias e alguns acrescentam que podem ter surgido tarde de mais.
Há também quem afirme que este conjunto de medidas não chega e que é preciso estímulos orçamentais e recomendam, por exemplo, que os países com baixo nível de endividamento adotem políticas orçamentais mais expansionistas.
De facto entregar mais dinheiro aos bancos não chega. É preciso que esse dinheiro chegue à economia real e isso está ainda longe de estar garantido. Pela minha parte, estou aí. Será tema para um próximo artigo.