Homossexuais, adopção e poder paternal

Valha a honestidade intelectual, discordo do casamento entre genitalmente idênticos, homens ou mulheres, porque, ao invés, sempre entendi um casal constituir-se por via de duas pessoas sexualmente diferentes. Decorrente desta lógica, divirjo da adopção possível de crianças por “casais” homossexuais, no entendimento de que uma criança necessita de crescer ao lado de um pai e de uma mãe, ainda que não biológicos. E não coloco o princípio por questões sociais ou culturais, porém de natureza. Homem e mulher nascem anatomicamente diferentes e distintos em características que, não se opondo, se complementam. Conceito utilizado à falta de melhor, projectava-se na mãe o amor e a autoridade no pai, embora uma e outro fossem, simultaneamente, amor e autoridade.
Em matéria de adopção por “casais” de sexo idêntico, possibilidade instituída, num pormenor (ou pormaior...) estou completamente de acordo. Em nome do instituído, argumentava uma mulher (e sublinho: uma mulher...) que homens e mulheres detêm capacidades idênticas enquanto cuidadores dos filhos. O que venho repetidamente defendendo, não porque o tivesse inventado, todavia porque o houvera investigado, longa e largamente, em sede académica. Sexualmente diferentes nascidos, somente a mulher engravida, dá à luz e amamenta, mas não engravida sem a participação do homem. E nem todas amamentam: umas, porque não podem; outras, porque não querem. A partir daqui, tudo se esbate, porém, e são a sociedade e a cultura a determinarem representações sociais e a distribuírem papéis, profissões, desempenhos e funções “próprios” de homem ou de mulher. De outra forma dito, sociedade e cultura, sobremaneira intermediadas pela família e pela escola, se encarregarão de fazer de cada um homem ou mulher, em termos de género. Porque nada impede que um homem mude fraldas, faça e dê biberões, lave e cuide de roupa, cozinhe e alimente, agasalhe e proteja, vele pela assistência médica e medicamentosa, embale e adormeça. Daí que não seja por mera gratuitidade que muitas mulheres, desenrolado o processo de atribuição do poder paternal, se multipliquem na necessidade de denegrir a imagem do pai, de manipular crianças de forma grosseira, aterrorizando-as psicologicamente, no sentido de impedirem a sua entrega aos cuidados daquele, que bem sabem, tantas vezes e da constância do casamento, serem mais burilados que os seus. Quando uma mãe convence uma criança de que o pai não sabe cuidar dela e a ameaça de que, sendo contrariada, a abandona para não mais ser vista, nada mais faz do que, ditatorialmente, impedir a liberdade de escolha e determinar a submissão a si, que, para salvaguarda, a criança se obriga a manifestar-lhe, sustentada no terror imposto. Da mesma sorte e do mesmo passo, outros se manipulam, resultando em decisões transbordantes de inverdades e atamancadas, ao sabor (e saber...) de interesses perseguidos e prosseguidos, entregues em bandejas luzidias.
Porventura esta viragem, confirmante de capacidades idênticas na prestação de cuidados na maternidade e na paternidade, carregue consigo a viragem na mentalidade daqueles que decidem no entendimento de que, naturalmente, os filhos são pertença das mães. Porque não são. E daqueles que, mais fundamentalistas ainda, afirmam que, em condições algumas, entregariam a um pai (qualquer um...) a tutela de crianças. A ignorância não dura sempre...
Escrevo segundo a antiga ortografia.