Mãe, avó, bisavó… Saudade eternizada!...

Sentir a vida, vivendo-a nos múltiplos aspetos do ciclo pessoal ou familiar, só a experiência sentida potencia uma profunda introspeção reflexiva. Muitas vezes, para não dizer sempre, só quando o imprevisto acontece, nos faz “parar” e verdadeiramente nos estremece, é conseguimos dar o genuíno valor ao afeto e à materialidade da vida quando esta desaparece. Ter a perceção é, com efeito, bem diferente do que vivenciar a realidade da “perda” contextualizada na eternização da saudade, que nos sufoca na debilidade da emoção e da ansiedade. Perante a dor da partida de quem nos gerou e potenciou a vida, nos deu alento e alimento quando tínhamos fome de tudo, nos aqueceu nos invernos exteriores e interiores, nos orientou, nos recebia com sorrisos e aconchegava com carinhos, embora as lágrimas sequem, não podendo ser ignoradas, precisam de ser choradas. Evidencia-se o vazio afetivo, reforçam-se as lembranças maternas, valorizam-se gestos e atitudes de exemplo, sacrifício, amor e abnegação, que nos enriqueceram transversalmente, mas que nem sempre aceitámos de alma e coração.
Na verdade, só o tempo e a ocasião nos levam a reflexões profundas, contextualizadas na dinâmica e alegria do amor, quando perdemos alguém que foi uma singular e insubstituível referência transversal, sobretudo ao nível da dedicação maternal, valores educacionais, tolerância apaziguadora e componente doutrinal.
Referi-mo, obviamente, à minha mãe, que “partiu para o PAI”, recentemente, terminando a sua missão terrena, no seio da sua gente, quase a completar os 93 anos de idade, o que aconteceria, neste dia 17 de Junho.
Foi, certamente, uma mãe como tantas outras mães. Mas há mães geradoras da vida, genéticas, simplesmente, e há mães, MÃES em TUDO e por TUDO. Por isso, neste período de luto, não posso deixar de a evocar na minha escrita, na expressão e exteriorização do meu sentir, do meu pensar, do meu querer, da dor do meu pesar, pois considero que a minha mãe, foi MÃE em toda a extensão do SER!... E, naturalmente, ESPOSA exemplar, expressando o afeto num ambiente positivamente fluente e permanente. Mulher crente, de FÉ, com e na Igreja sempre presente.
Naturalmente que é sempre mais fácil falar, dizer coisas bonitas, quando a “partida” acontece e saudade emerge e permanece. Contudo, para quem me conhece, saberá que tinha com a minha mãe, como ainda tenho com o meu pai, uma relação de cumplicidade materna e muita proximidade, de presença, de preocupação, de dedicação e saudade. Recordando-a de forma carinhosa e interiormente sentida, é certo que choro a dor da sua partida. Mas, por outro lado, sinto-me confortavelmente realizado pela forma como sempre, em vida, procurei prestar-lhe a possível atenção, por ela desejada e por mim procurada. Tantas vezes me disse: “então quando voltas cá”, ou “estou sempre à espera do fim-de-semana para vos ver”. E se muitas outras coisas jamais esqueceremos, uma delas é o seu sorriso, sempre cativante e emergente, mesmo quando estava doente, contextualizado num afeto carinhosamente fluente. Na minha memória ficarão muitos gestos, mas, porque mais recentes, aqueles com que agraciava/acarinhava a minha filha, sua neta, que ouvia sempre com muita atenção, e a minha neta, sua bisneta, por quem manifestava muita saudade, ternura e preocupação. Os registos fotográficos também falam por si.
É certo que, sobre a minha mãe poderia dizer e escrever muita coisa. Como perderão dizer filhos de outras mães. Todavia há as aspetos que gostaria de salientar. Em primeiro lugar a sua entrega à família, a forma como sempre amou, compreendeu, tolerou, ajudou e sorriu. Esposa, companheira, mãe e avó, protetora, dedicada e preocupada. Sofredora, que ouvia, perdoava e às hostilidades, injustas, não respondia. Mulher da Igreja e da comunidade, em cujas atividades participava com interesse e regularidade. Era a MINHA MÃE, Otília Neves, AVÓ e BISAVÓ, Tilha!... Para sempre! … Certamente no Céu, eternamente!...