Matematicamente pensando: Desemprego jovem

Um dos grandes problemas de Portugal, e de muitos outros países, é o desemprego. O desemprego quando associado à falta de condições para se poder ter uma vida digna, ainda é mais grave. Esta situação é preocupante em todas as idades, mas é particularmente grave quando atinge jovens a quem nunca foi dada a possibilidade de exercerem uma profissão.
Uma questão que se coloca a qualquer cidadão europeu é a seguinte: a Comissão Europeia e os países que a constituem estão a olhar corretamente para o fenómeno do desemprego? Cada desempregado é uma pessoa, que como pessoa tem direitos e obrigações. Acredito que uma das grandes razões para o aumento galopante do desemprego é a falta de equilíbrio entre os direitos e as obrigações das pessoas e das organizações.
Quando saliento os direitos e as obrigações não estou a pensar em qualquer governo, organização ou pessoa em particular, mas nas consequências e nos apoios que muitas organizações dispõem para se instalarem, prometendo tudo o que os governos querem ouvir, de seguida quando atingem os seus objetivos de lucro desaparecem para outros países, procurando novos incentivos e novas formas de acumular riqueza, sem qualquer interesse ou preocupação com o bem-estar das pessoas que as serviram e ajudaram a atingir os seus objetivos.
Por outro lado, o esforço de cada país e da Comunidade Europeia para resolver o problema do desemprego nem sempre produz os resultados desejados, continuando a verificarem-se situações de elevado desemprego e de grande fragilidade no emprego que muitos jovens conseguem. Como indicador relativo às preocupações de diminuir o desemprego, saliento a informação apresentada num artigo pulicado no jornal público de 22/05/2015, com o título “Portugal vai receber 48 milhões de euros para combater desemprego jovem”.
Quando surge a palavra milhões pensa-se que vem aí muito dinheiro, permitindo que um jovem desempregado possa pensar, talvez chegue agora a minha vez. Acreditar que o dia de amanhã vai ser melhor que o de hoje é sempre bom, mas projetar o futuro sobre bases pouco sólidas não ajuda muito a atingir objetivos consistentes e duradoiros. No desenvolvimento do referido artigo salienta-se que “Portugal vai beneficiar do reforço da antecipação das verbas destinadas à Iniciativa para o Emprego dos Jovens” (…) “em causa estão 48,2 milhões de euros que serão colocados à disposição do país para subsidiar programas de combate ao desemprego dos jovens” (…). “Em Portugal, havia 324,4 mil jovens (entre os 15 e os 34 anos) que estavam nessa situação no primeiro trimestre deste ano”.
Os números em contextos sociais têm sentido quando se relacionam, nomeadamente utilizando operações elementares como adição, subtração, multiplicação e divisão. Assim, a primeira situação que ocorre quando temos milhões de euros, para ajudar milhares de jovens é responder à questão seguinte: gastando a mesma importância com cada jovem, quanto se pode gastar com cada um? O resultado é pouco animador? Menos de 150 euros. Quando se chega a este número não surgem respostas, mas muitas interrogações sobre o efeito da iniciativa na diminuição do desemprego.
Poderemos continuar a acreditar que a diminuição do desemprego acontece com o financiamento público de programas de aprendizagem, estágios ou formação contínua para desempregados? São louváveis as iniciativas referidas, desde que não se tornem objeto de formas de vida.
É urgente que os estagiários e as pessoas que frequentam cursos não formais de aprendizagem, por não terem ocupação, sejam considerados desempregados para que possamos ter valores reais do desemprego e não exista manipulação do número de desempregados de cada país.
Quando são oferecidos aos jovens estágios para diminuir o desemprego e programas de aprendizagem para os ocupar, não se contribui para uma sociedade moderna e desenvolvida, mas sim para uma sociedade sem perspetivas de futuro, com baixa autoestima transformando os sonhos de progresso e de sucesso numa luta pela sobrevivência.