O clima já não é o que era

Mesmo os mais céticos se rendem à evidência: o clima já não é o que era. Dantes, sabia-se que havia calor no verão e frio no inverno. Que as temperaturas eram mais amenas na primavera que no outono. Havia certezas e poucas exceções. As variações climáticas ao longo de cada estação do ano raramente eram dignas de registo. Os agricultores podiam programar as sementeiras e as colheitas com alguma segurança. No verão, podia haver umas noites mais frescas a recomendar um casaquinho, mas as amplitudes térmicas não impressionavam. Quando surgia um dia diferente, mais não era que a exceção a confirmar a regra.
Anos e anos de agressões ambientais – poluição do ar, da água e da terra, impermeabilização dos solos, desordenamento do território, sobrecarga urbanística, abuso do automóvel e elevadas emissões de CO2 - levaram ao sobreaquecimento do planeta, às alterações climáticas e ao aumento das catástrofes naturais.
Por isso, agora, pode haver dias de muito calor fora da época estival e dias de frio no verão. No mesmo mês, pode haver períodos de seca e incêndios, seguidos de outros de chuvas torrenciais, baralhando as contas de quem vive da terra ou do turismo. Este ano tem sido paradigmático e bem revelador de que o clima está a mudar. As alterações climáticas são uma realidade que urge prevenir e mitigar. Também neste domínio, os mais desfavorecidos são os mais penalizados, uma vez que os efeitos das alterações climáticas tendem a fazer-se sentir com mais frequência e intensidade nas regiões mais pobres do globo. De tal modo que muitas populações são obrigadas a abandonar a sua terra em busca de alimentos e água potável, dando origem a uma nova categoria de refugiados: os refugiados do clima.
As secas e as cheias matam tantas ou mais pessoas que os conflitos armados. Há quem preveja que a disputa da água potável possa dar origem à terceira guerra mundial.
A chamada “crise da água” – quer em relação à quantidade quer à qualidade – resulta dos usos (e abusos) e não apenas de razões naturais. Vai por isso agravar-se se a tendência depredadora não for invertida e se não se desenvolverem “sistemas de gestão hídrica eticamente corretos” como defende a ONU. É preciso combater o desperdício e todas as ineficiências e fazer uma gestão sustentável deste recurso tão necessário e escasso.
É preciso mudar de paradigma económico. O caminho a percorrer está traçado e o objetivo definido: criar uma economia sustentada, mais verde e competitiva. É possível aumentar a produtividade através de um consumo mais reduzido e mais eficaz dos recursos e das energias não renováveis. Não só porque o preço é elevado, mas sobretudo por razões ambientais e de sobrevivência das espécies. O que está em causa é o futuro da Terra.