O colapso do liberalismo II – A crise de 2008

Todos percebemos, desde o início, que a crise financeira de 2008 resultou, em última análise, da ganância dos Bancos e dos grandes grupos financeiros. O primeiro a cair foi o Lehman Brothers, mas quase todos estavam contaminados pelo mesmo vírus da ganância desenfreada, sem limites e sem controlo. Os momentos principais desse processo foram os seguintes:
1 – No início da década de 70 do séc. XX, os donos das maiores fortunas da América começaram a conspirar para se livrarem das leis de F. Roosevelt, tentando criar condições para o regresso puro e simples do liberalismo radical que estivera por detrás da crise de 1929. Para atingirem esse objectivo propuseram-se o seguinte:
1.1 – Anular a legislação que proibia os bancos comerciais de vender produtos de risco.
1.2 – Descer os impostos dos grandes grupos empresariais.
1.3 – Diminuir o mais possível a intervenção do Estado em todos os sectores da sociedade e do mercado, principalmente ao nível da Educação, da Segurança Social e da Saúde.  
1.4 – Utilizar a comunicação social para a difusão das suas ideias junto da opinião. Para o efeito criaram um fundo de alguns milhares de milhões de dólares.
2 – No início da década de 80 do séc. XX, Ronald Reagan assumiu a presidência dos Estados Unidos da América e procurou pôr em prática todas as medidas preconizadas pelos defensores dum liberalismo radical. As principais medidas traduziram-se no seguinte:
2.1 – Descida acentuada dos impostos dos grandes grupos económicos com o argumento de que assim ia aumentar a riqueza do país e o número de postos de trabalho.
2.2 – Diminuição acentuada dos benefícios sociais prestados pela Segurança Social aos desempregados, doentes e pensionistas com o argumento de diminuir o défice do Orçamento de Estado.
2.3 - Aumento da carga fiscal da classe média com o argumento de anular o défice dos seus sistemas de Saúde, Educação e Aposentação, cujos recursos eram desviados para cobrir as despesas com o armamento militar e com as regalias concedidas aos grandes grupos económicos e financeiros.
2.4 – Privatização de todos os sectores da economia com o argumento de que o Estado é mau gestor.
3 – No entanto, foi Bill Clinton, um presidente do partido Democrata, quem aboliu, nos finais da década de 90, a legislação do democrata F. Roosevelt que proibia os Bancos Comerciais de negociarem produtos de risco.
4 – Como resultado de todas estas políticas, os Bancos começaram a meter-se a fundo na Bolsa, envolvendo-se em negócios que transformaram a “Wall Street” num autêntico casino.
5 – Os resultados dessa política e dessa economia são sobejamente conhecidos:
5.1 - Passados cerca de 10 anos, o colapso financeiro desse capitalismo selvagem levou os proprietários dos grandes grupos financeiros a reclamar a intervenção do Estado (que tanto tinham diabolizado!...) para salvar os seus Bancos.
5.2 – O Estado interveio, efectivamente, não só na América como em quase todo o lado, salvando as fortunas dos grandes grupos. Em Portugal, não foi só caso do BPN e do BPP. Praticamente todos os Bancos tiveram de recorrer à ajuda do Estado, desde o BES ao BCP, ao BPI, .
5.3 – Desta forma, os grandes accionistas desses Bancos viram a sua riqueza totalmente salva pelo dinheiro dos contribuintes (trabalhadores no activo e pensionistas), continuando a receber chorudos salários e ganhos imorais. Basta lembrar os salários dos administradores do BPI, do BCP (Paulo Teixeira da Cruz, Jardim Gonçalves, Fernando Ulrich, etc., etc.)
Conclusão – À semelhança da crise de 1929, também a de 2008 foi provocada por uma minoria de cidadãos – os banqueiros e os detentores das grandes fortunas - mas as suas vítimas maiores foram os milhões de cidadãos das outras classes sociais, nomeadamente os da classe média.