Sobre o Clube Académico de Bragança

 
Ao contrário do que acontece com a maioria das instituições deste género, que conhecem altos e baixos até à sua extinção, o Clube Académico de Bragança manteve sempre aquela imagem de um projecto sério, sustentável, com sentido, para a qual tem contribuído uma gestão cuidada e rigorosa. Extraordinário para uma colectividade que vive basicamente da quotização dos sócios e de uma modesta verba concedida pela autarquia, tendo em conta tratar-se de uma entidade que presta, na acepção da palavra, um verdadeiro serviço público.
Desde a sua fundação, em 1968, o Académico de Bragança é conhecido pela prática e desenvolvimento de várias actividades desportivas, sendo o hóquei em patins a modalidade mais representativa, uma imagem de marca que teve o seu período áureo nas décadas de 80/90, de tal maneira importante, que dali saíram vários jogadores para representar quer a selecção das quinas, quer alguns dos mais prestigiados clubes nacionais.
Não obstante os naturais e inevitáveis processos de passagem de testemunho – prova de que na vida há um momento para tudo e de que a eternização no poder é pouco saudável -,  o Clube Académico de Bragança nunca perdeu a sua identidade. Uma realidade que se explica pelo facto de quem o tem servido o faz com total desprendimento, com abnegação, sacrificando a vida familiar e profissional, sem daí tirar dividendos pessoais ou qualquer pretensão de alimentar egos.
Sem desprimor para os demais, e porque as últimas eleições para os órgãos sociais do Clube Académico de Bragança foram recentemente, não podia deixar de prestar aqui a minha singela homenagem ao presidente cessante, Fernando Gomes, porventura o mais destacado de todos quanto assumiram funções directivas nesta singular instituição.
Pessoa dada a consensos, sempre aberto ao diálogo institucional, elegante no trato, cordial com toda a gente, trabalhador incansável, dinâmico e capaz, o primeiro a deitar mãos à obra, mobilizando todos os que o rodeavam para a causa comum, fossem elementos da direcção, sócios, participantes ou atletas.
O Fernando prestou um relevante serviço ao Académico, durante os três mandatos como presidente. Cingindo-se a actividade desta instituição, basicamente, desde o seu aparecimento, à ginástica rítmica, à ginástica de manutenção homens e mulheres, ao Karaté, ao hóquei em patins, o Fernando deu-lhe uma dimensão eclética: para além da aposta na promoção de eventos destinados à socialização e convívio entre a família academista, introduziu um número significativo de outras modalidades, como o Kickboxing, a patinagem, o voleibol feminino, voleibol versão desporto escolar, dança oriental, aeróbica localizada, etc.
A par deste aspecto, o Fernando deixa também como legado algumas importantes infraestruturas, a saber: a construção dos campos de futebol e voleibol de praia, do bar das piscinas, convenientemente apetrechado, e as obras de melhoramento em toda a área envolvente ao pavilhão – sendo que muito deste trabalho foi feito à custa da disponibilização, a título gratuito, de máquinas e material de sua pertença.
Tendo os imponderáveis da vida impedido que o Fernando continuasse à frente dos destinos do clube por mais alguns anos – foi obrigado a emigrar para Angola, pelas mesmas razões de milhares de compatriotas seus -, fica uma certeza: o seu sucessor, o professor Paulo Gonçalves, pessoa que muito prezo, de elevada estatura moral e cívica, pelo excelente elenco directivo que lidera, não deixará de dar continuidade ao recomendável trabalho que até aqui foi desenvolvido em favor do Académico.
Este será, sem dúvida, a melhor tributo que se pode prestar ao Fernando Gomes