Tão longe … tão longe!

Lá diz a canção: tão longe … tão longe! 

Sem o avião, Bragança ficou mais longe de Lisboa como sempre esteve longe de tudo: de Zamora, de Salamanca, de León, de Madrid, de Chaves, da Guarda. Menos mal de Mirandela e de Vila Real, com autocarros várias vezes por dia. A Chaves não é possível ir e vir de autocarro no mesmo dia. Já quase nem ir. A Zamora também não; nem ir, sequer. Aqui a fronteira, nunca acabou. A Lisboa, de autocarro, também não é possível ir e vir no mesmo dia.

A civilização do petróleo e do alcatrão substituiu o comboio pelo autocarro e este pelo transporte individual, Vieram as boas estradas e, com elas, os autocarros ficaram mais caros e os pobres mais excluídos de tudo: da civilização e do conhecimento. Com o comboio, os pobres conseguiam deslocar-se. Com o autocarro, menos. Com o carro, menos ainda.

O avião era o transporte dos negócios e do conhecimento. Sem ele, o tempo fica mais caro. Era injusto o Estado pagar dois milhões e meio de euros? Então, por que é que desperdiça e malbarata tanto em Lisboa? Vem aí o cheque-avião? E quem vai num avião cujo dono não tem garantia de suportar o risco da operação?

A invocação do cheque-avião é uma boa estratégia para acabar com o avião. Nenhum operador suportará o risco de assumir um serviço para o qual não tem garantia de retorno. A mais-valia do dinheiro atribuído à linha aérea era a garantia da operação aérea da viagem. Sem essa garantia, não haverá nem linha aérea nem viagem por maior que seja o financiamento ao viajante.

Seria necessário que Bragança e Vila Real tivessem, no conjunto, 400.000 habitantes, para garantir uma tal sistema de cheque-avião baseado no risco da operadora da linha aérea.

Acresce que o financiamento à linha garantia também a existência do avião adequado à operação. Praticamente, só um avião deste tipo, capaz de parar em 500 metros, depois do toque no solo, e levantar em 600 metros, permite operar no aeródromo de Vila Real dados os curtos 960 metros desta pista, reduzidos a 800 no momento da aterragem.

O Presidente da Câmara Municipal de Vila Real nunca lutou nem pelo avião nem pela pista. Teve o avião à boleia da luta das gentes de Bragança. Mas estas terão, provavelmente, de transformar a Câmara Municipal em entidade prestadora de serviços de operação aérea para o que já está autorizada. Talvez seja agora necessário dinamizar o aeroclube de Bragança de modo a que os pilotos mais jovens de avião particular possam evoluir para pilotos de avião comercial. Será, depois, necessário comprar avião e dinamizar a logística. Seria ainda necessário melhorar as condições de aproximação à pista para operação noturna mas a possibilidade de regressar de Lisboa apenas às 20h00, garantiria a utilidade do avião, no Inverno.