Vesguice

Não é sobre a física, essa disformidade, entendo-a como cousa natural, fruto de uma anomalia, devendo ser encarada de frente, independentemente das jocosidades inerentes à malícia atreita a salientar os aleijões de cada um. Os zarolhos referem os mancos (coxos), os manetas salientam os pernetas, e tutti-quanti.
Este escrito é relativo às vesguices de vária pinta e vária monta a cada dia mais exacerbadas praticadas por detentores do poder ou seus mandantes, não faltando figurantes executores a obrigarem-nos a mudar de passeio quando se aproximam de nós.
A vesguice partidária instalou-se debaixo do lema – agora eu, amanhã tu – sempre que muda o governo dirigentes e funcionários competentes e rigorosos na gestão do serviço público são mudados ou colocados na prateleira porque a cor política em vigor assim o determina. Nada a fazer, os quadros vão aumentando, vão alargando, o criativo Rafael Bordalo Pinheiro desenhou a…
A vesguice dos interesses é tão velha como o Homem, no entanto, na era da globalização, da informação num relâmpago, manda a redobrar a prudência na tomada de atitudes especialmente quando somo pobres, pequenos, periféricos. Vulneráveis e desprovidos de mar expansionista.
Os produtores de carne de porco podem deter um taleigo de boas razões para defenderem os seus interesses, mas não podem furar pneus e insultar motoristas de camiões porque transportam carniças vindas do estrangeiro. Têm de negociar.
Eles furam pneus, os galegos derramam leite português, dado o desejo de todos desejarem exportar mais os mais fracos (os portugueses) têm de encontrar fórmulas de actuação capazes de ultrapassarem os escolhos, além dos nossos produtos se imporem pela qualidade. No caso dos sapatos, marcam pontos devido à superior confecção dos por cá fabricados.
Só a classe dos produtos e a inteligência nos podem salvar, além disso importa sublinhar a nossa tendência no adquirir produtos estrangeiros, vejam-se as tabuletas ou sinaléticas pespegadas por todo o Nordeste a anunciarem a existência disto e daquilo, desde a venda de comida para fora (pegue e leve), talvez fique melhor paga e leva, até aos cabeleireiros passando por toda a casta de lojas, lojinhas e lojecas. Antigamente nas montras da Casa Tozé os belos cartazes anunciavam: Dior em Paris, Tozé em Bragança, agora as etiquetas dizem: Gucci, Boss, Armani, Mango, Zara, mas se formos à milha de ouro (Avenida da Liberdade) a vesguice da moda dita outras referências bem mais custosas. E, estamos sempre a encher a boca com os produtos portugueses.
O culto do vesgo leva-nos a comprar guerras desnecessárias, a última é a adquirida por Rui Moreira na Galiza, independentemente da querela mais ou menos artificiosa com a TAP, a ameaça de guerra contra a transportadora a imitar o inefável Nuno Cardoso, Moreira está a colocar em causa o Eixo-Atlântico, gostava de ouvir Xoán Más, além de elevar uma francesinha a marca maior do Porto. Francamente!
O Sr. Rui Moreira personagem do romance Uma Família Inglesa já revelou pouca solidariedade com o Nordeste, desta feita demonstra fracos dotes de diplomata. Sem vesguices, vendo as duas faces da moeda, continuo a bendizer o resultado do referendo acerca da regionalização. Lembram-se?
Através da palavra e de andanças apelei ao não, felizmente, prevaleceram os olhares em todas as direcções. Já viram cinco ou seis émulos de Rui a quererem mandar