Henrique Ferreira

Professor

Tudo menos honra e verdade

 
Escrevo às 15h30 de Segunda-Feira, dia 10, e ainda não liguei a televisão para ver como vão as peripécias do derrube do Governo. Sinto um misto de vergonha e de revolta. Vergonha porque nunca pensei que uma democracia pudesse colocar as questões formais acima das questões de substância da legitimidade democrática. Revolta porque se o XXI Governo Constitucional começar assim, conduzir-nos-á a um triste fim. Vergonha ainda porque se utilizou uma mentira para legitimar um golpe constitucional. Vamos aos factos.

Medio tutissimus íbis (Pelo meio irás mais seguro)

 
Uma Constituição da República obsoleta e burocratizante e a falta de entendimento entre forças políticas fez com que o Primeiro-Ministro só fosse indigitado 18 dias depois das eleições de 4 de Outubro, eleições em que a Coligação PàF (Portugal à Frente, PSD+CDS) saiu vencedora com a maioria relativa de 38,8% e o PS saiu perdedor, com 32%. Assim, a Coligação obteve 107 mandatos na Assembleia da República (AR) e o PS 86. Os restantes deputados foram eleitos pelo BE (19), pelo pela Coligação PCP/PEV (17) e pelo PAN (1).

Os portugueses derrotaram-se a si próprios

No dia 04/10/2015, dos 9,439 milhões de eleitores portugueses, 5,374 milhões foram votar para elegerem o XX Governo Constitucional (2015-2019). A abstenção (4,065 milhões, equivalentes a 43% dos eleitores) foi, em termos de percentagem, a mais elevada de sempre, em eleições para a Assembleia da República. Foram validamente expressos 5,287792 milhões de votos, dos quais 0,112293 milhões em branco. Os restantes 5,175 milhões foram distribuídos pelas candidaturas concorrentes, sendo que nenhuma das candidaturas obteve maioria absoluta para governar.

Eleições: as dúvidas de Maria

 
Maria é uma cidadã empenhada e responsável. Natural de Portugal, seus pais e ela própria nunca fugiram aos impostos e sempre pugnaram pelo interesse geral contra os interesses particulares, fossem eles individuais fossem de grupo ou fossem ainda de corporação. Noventa por cento dos portugueses acham-nos estúpidos por isso. Para legislativas, Maria sempre votou no mesmo partido e a sua alternativa esteve sempre entre o PSD e o PS. Porém, este ano, Maria hesita e coloca mesmo a hipótese de votar em branco.

Novos e velhos problemas, novos e velhos desafios

Em primeiro lugar, devo esta explicação: escrevo como aprendi, há 57 anos, porque acho que o AO90 (Acordo Ortográfico de 1990) é um insulto à portugalidade.
Sobre o tema de hoje, os problemas que a humanidade enfrenta, na actualidade, são o resultado dos problemas e soluções do passado, implementados à luz do modo como foram lidos os desafios de cada momento histórico. Os erros praticados transformam-se em novos problemas que impõem desafios maiores. É assim com a dívida pública e o deficit portugueses, é assim com tudo, no nosso mundo.

Três notas breves

Três assuntos dominaram, a meu ver, a semana passada: 1) o incremento da chegada de migrantes e refugiados à Europa, via Mar Mediterrâneo e região a norte da Grécia; 2) o tratamento diferenciado de escolas com base na avaliação que lhes foi feita; e, 3) o incremento de contratos de associação entre Estado, via Ministério da Educação, e escolas do Ensino Particular e Cooperativo, ou seja, ensino não-estatal, agora também quase estatizado, por via desses contratos.

A inutilidade do voto em branco

Apesar de as próximas eleições legislativas estarem reduzidas à escolha entre a Coligação PAF (Portugal à Frente, constituída pelo PSD e pelo CDS) e o PS, para constituir Governo, afigura-se inútil votar em branco porque o voto em branco apenas reflecte a atitude de quem assim vota (não saber em quem votar ou protesto) mas antes é distribuído, em percentagem dos votos recolhidos por cada candidatura, pelas diferentes candidaturas em disputa eleitoral. Como assim?

Ai Olissipatina, que grande sabatina!

Retomo o tema da Grécia. Muito já se escreveu sobre ele mas muito faltará escrever. Vou juntá-lo com Portugal na palavra Olissipatina (Lisboa+Atenas, em Grego).
Dois temas têm dominado a agenda sobre a Grécia: as causas da crise e a forma da resolução (apenas adiamento? segundo António Vitorino) da crise.

A festa das visitas pastorais

O Reverendíssimo Senhor Bispo Dom José Cordeiro, actual Bispo da Diocese de Bragança-Miranda prometeu e vem cumprindo a visita pastoral a cada uma das 334 paróquias da sua Diocese, organizadas em unidades pastorais. Entre os passados dias 5 e 11, coube a vez às gentes da Unidade Pastoral 10B de Macedo de Cavaleiros e, no dia 10, à Freguesia de Olmos, agregando as localidades de Olmos e Malta.

A incógnita grega

A Grécia caminha para o colapso, dizem uns. Tudo se há-de resolver com maior ou menor dificuldade porque a Grécia não pode sair do sistema monetário do «euro», dizem outros. Tenderia a concordar com os últimos se, na mesa das negociações, estivessem pessoas normais.
Este artigo está ser escrito em 28 de Junho, às 22h00. Quando chegar aos leitores, no dia 2 de Julho, quase todos os pressupostos do seu conteúdo podem estar alterados porque estamos perante um problema que evolui rapidamente.