Bragança

O passatempo que ficou sério e virou emprego

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 2015-05-28 17:57

Quando entrava em casa dos amigos, Miguel Moita Fernandes não conseguia travar a imaginação. Quanto mais olhava para os móveis, sobretudo os mais antigos, não conseguia deixar de pensar em formas de os recuperar e reconverter, com um toque de modernidade.
Após alguns anos sem conseguir colocação como professor de música, aquela que é a sua formação de base, Miguel Moita Fernandes deitou mãos à obra e transformou o passatempo que ia tendo, lá por casa, naquele que espera venha a ser o seu emprego de sucesso. De sonho, pelo menos é.
Há poucas semanas montou a Relíquia, uma loja e oficina de antiguidades, junto ao parque do Eixo Atlântico, em Bragança. E os primeiros dias têm sido uma autêntica surpresa.
“Já apareceram aqui pessoas a querer vender-me de tudo, sobretudo aquelas coisas antigas típicas desta região, como potes de ferro ou loiças de barro com muitos anos”, conta, com um sorriso.
Mas nem tudo o que é antigo é valioso. “O problema é que as pessoas não entendem isso. Por exemplo, os potes de ferro existem aos montões nesta região. Toda a gente tem um e, por isso, não há mercado”, explica.
Mais conhecido por integrar o grupo musical Lacre, Miguel Moita Fernandes lamenta a dificuldade que uma banda do interior tem em chegar ao grande público do litoral. Por isso, enquanto o valor artístico do projeto não é reconhecido e como tem de alimentar a família, vai deitando mãos à obra, com a colaboração da esposa, Ana Moita Fernandes. “Faz aplicações em estanho espetaculares”, garante o artista, que também é suspeito para o elogio.
Certo é que os primeiros dias de porta aberta têm corrido bem. E já conseguiu reunir algumas peças de grande valor, como um piano com cerca de 200 anos, que tem à entrada da loja. “Fiz a primeira venda logo ao segundo dia, foi muito bom e motivador”, frisa.
Em frente, do outro lado do espaço, uma mesa que se vê robusta no traço, como só a traça transmontana sabe ser, foi recuperada com uma cor branca, ganhando um aspeto de modernidade que se coaduna com qualquer casa da atualidade.
“Quero oferecer às pessoas algo diferente, que não há no Nordeste Transmontano”, confessa.
Acredita que esta região tem “potencial” mas que o mercado de antiguidades está adormecido. “Tenho tido gente todos os dias.”
Uma das preciosidades que a Relíquia esconde é um conjunto de móveis de escritório, em excelente estado de conservação, com mais de 200 anos, ao estilo D. João V. “É a minha peça preferida”, refere Miguel Moita Fernandes, que também recuperou e reconverteu um louceiro antigo, agora pintado com tons de branco e cinzento.
Mas são várias as peças já disponíveis, de vários anos, como rádios antigos, candelabros, candeeiros ou sofás.