A opinião de ...

A TRILOGIA DO TRABALHO

(pensar/estudar/trabalhar/descansar)
1- Como sempre, não vou meter o bedelho na corrupção política. Tenho mais propensão, porventura rara, de viver no presente, milhares de anos em frente, “parce que le présent n’existe pas”. (alguém chegará lá, não?). Seja porque o passado, de um modo geral, andou, quase sempre pendente na corda bamba, isto é, entre o mal e o bem. Eu “ispilico” ainda melhor: na escola primária, aprendi com a minha querida mãezinha que a história é narrada por pessoas ditas especialistas e, concomitantemente, cada uma dá o seu veredicto e até investiga, fazendo-o muitas vezes com olhos estrábicos. O leitor já reparou na quantidade de escritos existentes, (e já não conto com a NET), sobre a história (ou estórias?) de acontecimentos clássicos? Bem-aventurado foi Descartes que pensou e descodificou a máxima: “PENSO, LOGO EXISTO”. Por mais voltas que eu dê à mente, as pessoas da actualidade, duvido que “existam” e, mais grave ainda, que “pensem”. As individualidades que usam óculos vêm mais e, por isso, pensam melhor porque têm quatro formas de ponderar e de se aperceber da sua existência. De um modo geral, quem usa lunetas pensa para quase todos os lados e leva as mensagens até às cavidades nasais, o que faz com que não pensem no acessório. As hastes transmitem energia ao cérebro e a mente fica limpa, com os orifícios das orelhas cheios de cabelos.
 
2 - “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus…” (João Evangelista 1:1-4).  O Criador, o Altíssimo falava (e agia) usando parábolas que, para mim não são senão metáforas enriquecidas. Fernando Pessoa estudou-a e acariciou-a em saber nas suas vastíssimas obras literárias. Note-se que usava óculos na ponta do nariz afiado para escrever com mais perfeição.
O verbo ensinar demonstra que o conhecimento e a capacidade introspectiva aguçam o entendimento intelectual, alicerçada pelo estudo, de modo a adquirir bases sólidas e diversificadas para poder discernir as matérias de estudo.
Um pai, vendo que o filho (similar ao PRÓDIGO) faltava às aulas, não lia nem escrevia uma linha, fumava ervas proibidas, divagava no mundo marginal…. Enfim, não sabia fazer nada.. Foi repreendido inúmeras vezes, mas o rapaz rapava o que encontrava de valor e vendia à marginalidade os “livros” escolares e os religiosos, que a família lia nas orações a que o rapaz se escapava, a  comparsas e alfarrabistas. Não havia volta a dar: o rapaz só ia comer e dormir a casa. Quando já não conseguia pinga de “cheta”, um colega mais do que inteligente, depois de saber que o rapaz queria trabalhar e ninguém lhe dava sequer uma “chance”, limitou-se à inteligência de o aconselhar: deu-lhe uma palmada nas costas e disse-lhe com sinceridade - ESTUDASSES!
 
3 - “Once upon a time” as crianças, em muitos países, trabalham como escravas. Meu Deus, isto ´ deveria ser impensável no século XXI! Há alturas na vida do ser humano para tudo. Porém, também há muitos tipos de trabalho. Por exemplo, as crianças ao brincarem estão a trabalhar, quanto mais não seja, na desenvoltura das capacidades físicas e mentais. Nada de obrigação, nada de trabalhar só pelo pão, nada de opressão, nada de trabalhar em prol da nação. Mas passemos à acção:
- Ingressa-se numa empresa ou instituição para desempenhar a decisão do patrão. O objectivo é a produção. O humanismo e o mérito devem ser directamente proporcionais ao bom desempenho das melhores qualidades do trabalhador. O dirigente máximo deve ter o condão de, coadjuvado pelos vários chefes, atingir e até ultrapassar os objectivos traçados no início do ano. Verifica-se que as reuniões frequentes são a melhor forma de trocar ideias, impor o cumprimento escrupuloso das Leis e depois os ajudantes ajudam os trabalhadores no cumprimento do dever profissional, embora muitos diligentes ultrapassem com mestria o trabalho que lhes está destinado.
Há muitos anos, ouvi um disparate de todo o tamanho a um imbecil que abominava  labutar, e que nunca podia ser português. Dizia ele: “travailler c’est trot dure, rien faire, c’es beaucoup mieux”. A estupidez anda à nossa volta. Trabalhar deve ser um acto de prazer e cada cidadão deve empenhar os seus dotes para o seu e o crescimento do país.
 
4 - “Ao sétimo dia, Deus descansou”. Já tinha trabalhado imenso nos outros dias. Todo o ser humano (principalmente quem trabalha), deveria ter direito ao repouso que a Lei propõe. Hoje em dia, felizmente, a maioria da população goza férias e o engraçado é que o faz longe dos olhares do local de trabalho. Há, infelizmente, quem aproveite as férias para fazer outro tipo de trabalho, por motivos económicos. E a população também sabe que muitas individualidades altamente ricas, têm vários “jobs”, daqueles em que se limitam a orientar e a “andarem” de “vacaciones”,  praticamente sempre. Esses é que resfolegam ao som da produção que baixa.
Directa e indirectamente, o Presidente da República tem dado aulas e feito comentários, no sentido do cumprimento do Programa do Governo, que reconheceu a verdade do aumento da produção e a atenção às pausas a que todos temos direito. Abdicação?
Viva o pensamento. Viva o estudo. Viva o trabalho e viva o descanso.

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