Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2016-09-01 18:32

Quer ajuda? Pague!

Texto

No dia 7 de agosto, este agosto, um incêndio causou um desgosto a muitos automobilistas que, durante cinco horas, se viram retidos na A1, uma das autoestradas que liga Porto a Lisboa.
Durante cinco horas, milhares de automobilistas viram-se retidos, à força, numa autêntica jaula. O espírito de entreajuda humano surgiu por intermédio de dois vizinhos do acontecimento que, do próprio bolso, compraram mil litros de água que foram distribuir pelos infelizes enclausurados, já que ninguém se lembrou de abrir uma via que resgatasse todos quantos ali secavam ao sol, mulheres e crianças incluídas.
Da concessionária, um funcionário numa carrinha fez o que pôde antes de ser tão acossado pelo povo que, dizem os realatos, praticamente teve de fugir.
Imagine-se se, por uma daquelas partidas do destino, o fogo tomava o caminho e as proporções que tomou no festival em Idanha? Quem assumia a responsabilidade de deixar aquela gente ao abandono, entregue a si própria e ao seu destino?
Mas este não é caso único.
Sucedem-se os troços cortados ou limitados pela necessidade de obras de conservação, ou mesmo obras de conservação que são necessárias mas que nunca chegam (ver última página).
Enquanto isso, os responsáveis pelas estradas, bem como os responsáveis pelos responsáveis pelas estradas, vão assobiando para o lado, contando as moedas que o automobilista continua a ter de pagar, sem desconto.
Por cá, pelo Nordeste Transmontano, ainda não chegou a febre portageira. Mas é bom que o automobilista não tenha nenhum azar na sua viagem.
A política seguida por este lado dos montes é simples. Avariou? Vai ter de pagar.

Até para pedir ajuda é perciso ter os bolsos cheios. Que país este...