Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2018-01-25 15:32

Eleições partidárias a pensar já nas eleições legislativas

Texto

A mais de um ano das eleições legislativas, os partidos já vão mexendo o seu xadrez a pensar no que aí vem. E o que aí vem são as eleições legislativas, mais do que as europeias.

No distrito de Bragança, o primeiro a afiar as facas foi o PSD, arrastado pela disputa interna para a liderança, que, por cá, sorriu a Adão Silva, único vice-presidente da bancada parlamentar laranja apoiante de Rui Rio desde a primeira hora.

O deputado e antigo Secretário de Estado da Saúde foi o grande vencedor no distrito de Bragança, pois consolidou a sua posição junto da liderança do partido para os combates que aí vêm. Também Jorge Fidalgo saiu por cima, pois o presidente da Câmara de Vimioso foi o mandatário distrital de Rio. No entanto, daqui pode nascer uma fratura com repercussões que se façam sentir dentro em breve, quando começar a disputa à Distrital. É que Hernâni Dias soube deste posicionamento já com o comboio em andamento e não deve ter gostado, até porque ele próprio apoiou Santana Lopes. Contudo, quem ficou chamuscado terá sido Jorge Nunes, que vê fechada a porta da Assembleia da República, quiçá de forma definitiva.

Depois disto, Hernâni Dias pode sentir-se tentado a avançar ele próprio à Distrital, como forma de marcar posição, que é de força depois do resultado nas eleições autárquicas no maior concelho do distrito (em militância).
Ora, precisamente a concelhia de Bragança também vai a votos brevemente e Luís Afonso já avisou os militantes que não se recandidata.

António Batista, presidente da Junta de Freguesia de Alfaião e atual vice-presidente da Concelhia, homem de confiança de Hernâni Dias e com feitio mais de consensos do que de ruturas, tem via aberta para assumir a liderança do partido em Bragança.
Já nas hostes socialistas a procissão ainda vai no adro mas vai animada. Es
ta semana foram três os candidatos a avançarem em simultâneo. Se Jorge Gomes já há muito tinha avisado, nas páginas do Mensageiro, ao que ia, Carlos Guerra surpreendeu muitos militantes ao anunciar a recandidatura (mas só os mais desatentos, que não lêem o Mensageiro).
A candidatura de Artur Nunes acaba por mostrar a divisão que se vive no partido. Se Jorge Gomes é um costista a toda a prova (sintomático o abraço entre os dois, esta semana), Artur Nunes é segurista, tal como Mota Andrade, que deve dar o seu apoio ao autarca de Miranda do Douro. Para além de ter ido contra António Costa nas primárias, Artur Nunes assumiu também o outro lado na eleição a Secretário Geral, tendo apoiado Daniel Adrião e eleito para a Comissão Nacional nessa lista. Mota Andrade foi mesmo um dos que ajudaram Artur Nunes a iniciar contactos com os presidentes de Concelhia ainda na semana passada.

Carlos Guerra está fragilizado em Bragança depois de a solução que apoiava para a concelhia não se ter conseguido efetivar. Conseguiu unir a concelhia de Bragança contra si, levando a que se juntassem na lista de André Novo apoiantes de Mota e de Gomes.
Será que as três candidaturas chegam ao fim?