Portugal: Um país onde se possa viver com prazer

Gosto muito de Portugal e aceito que comparado com muitos países do mundo seja possível encontrar múltiplos aspetos que o permitam colocar em primeiro lugar. No entanto, também me parece um exagero acreditar que de um momento para o outro tudo se transformou, e de um país de credibilidade duvidosa tenha passado a um país em que se possa confiar cegamente.
Não devem ser nunca ignorados os sucessos conseguidos por este ou outros Governos. Mas, se o papel do Governo é exaltar as suas benfeitorias, o papel da oposição é provar que pode fazer mais e melhor. Não me agrada muito assistir ao politicamente correto, incentivando-se diariamente os partidos considerados de esquerda a não mexerem muito, porque senão perdem o seu eleitorado, e os considerados do centro ou de direita a serem aconselhados a não criticarem muito o Governo, porque senão deixarão de ser ouvidos e serão ofuscados pelos sucessos anunciados de quem governa.
Que democracia é esta? O pior que pode acontecer ao país é aceitar-se que tudo está bem como está.
É urgente que cada partido faça o seu papel. O ser humano envolve-se com particular empenho na procura de respostas para as suas necessidades, as quais, atendendo à pirâmide de Maslow, estão hierarquizadas com início nas necessidades fisiológicas básicas, seguindo-se as necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidades de autoestima e, por último e a mais elevada, a necessidade de realização pessoal.
Refletindo, um pouco, nas necessidades referidas, acredito que quer o Governo, quer a oposição podem encontrar espaço para definirem grandes causas que em conjunto, ou separados, necessitam de um longo caminho para lhes dar resposta. Neste sentido, saliento algumas questões:
- As pessoas que vivem na rua têm a possibilidade de satisfazer as suas necessidades fisiológicas básicas, como seja a comida, o sono, a higiene pessoal? Num país civilizado, não haverá mais nada a fazer por estas pessoas?
- É possível caminhar com segurança, a qualquer hora do dia ou da noite, em todas as ruas das vilas ou das cidades de Portugal?
- Há segurança no emprego em muitas das empresas com atividade em Portugal? Alguém pode garantir condições condignas para os jovens quando atingem as condições de entrar no mundo do trabalho?
- As relações entre as pessoas podem ser cultivadas quando a vida privada é devassada pelo uso de dados pessoais, ou organizacionais, não autorizados, ou por falsas verdades a coberto de algumas organizações?
- Como é possível elevar a autoestima, quando se cultiva no país a ideia da competição suportada mais pelo chefe do que pela atitude, pelo conhecimento, pela capacidade ou pela competência individual?
- Qual é a realização pessoal que se espera, num país em que qualquer pessoa pode ser ultrapassada e prejudicada nos seus direitos, e não existe Justiça que a defenda? Para quê contar com a Justiça do país se é necessário gastar muito dinheiro, aguardar muitos anos à espera de uma decisão, e quando essa decisão chega, mesmo que seja favorável, já não tem os efeitos esperados?
Estas e outras questões podem constituir motivos para se acreditar que fazer política é ajudar as pessoas a resolver problemas. A democracia é tanto melhor quanto os Governos considerarem que fazem o melhor e merecem a confiança dos eleitores, e a oposição acreditar que é possível fazer melhor do que quem está no poder e, consequentemente, adquirir a confiança dos eleitores para substituir quem governa.