Literatura // A "verdade" do 25 de Novembro de 75 Por: / Secção: Cultura / 31-01-2009 · 10 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
General Pires Veloso desvenda, num livro de memórias, o papel da Região Militar do Norte na reposição da ordem democrática e das liberdades e acusa Ramalho Eanes de não ter sido nenhum “herói”Chamaram-lhe “Vice-Rei do Norte”, um “título” que lhe vem dos anos em que chefiou a Região Militar do Norte (RMN), em 1975, e que hoje dá nome ao seu livro de memórias. O general Pires Veloso esteve em Bragança, no passado Sábado, para apresentar o seu “contributo” para a “reposição da verdade da história” e, ao mesmo tempo, prestar uma “homenagem a todos os militares que sofreram arduamente com a presença imposta pelo Partido Comunista Português (PCP)”.
Pires Veloso, hoje reformado e com 82 anos, foi o último governador e alto comissário de Portugal em S. Tomé e Príncipe e chefiou o RMN durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), um período conturbado de lutas entre as facções de direita e da esquerda.
A 25 de Novembro de 1975 havia de ser reposta a ordem democrática, mas não pelo general Ramalho Eanes, como reza a História.
“Escrevi este livro para que a História pudesse ser reescrita, para rebater a mentira que tem sido contada sobre o 25 de Abril”, afirmou em Bragança.
Segundo Pires Veloso, em 1975 as unidades de Lisboa estavam “tolhidas pela indisciplina e desorganização” e no resto do país a situação não era muito diferente. Mas no Norte estabeleceram-se laços fortes entre o povo e as Forças Armadas e a população ajudou os militares na luta contra o PCP que, segundo afirmou, queria tomar o poder e fazer de Portugal um satélite da União Soviética.
Na altura, Pires Veloso chegou mesmo a reunir com Álvaro Cunhal, em Lisboa, a pedido deste. No livro revela que o dirigente comunista estava então preocupado com “a falta de liberdade democrática que existia no Norte do país” desde que o general Pires Veloso havia assumido o Comando da Região.
“Manifestei-lhe a minha estranheza, contrapondo que o conceito de liberdade democrática de cada um de nós devia ser diferente. Antes de eu ir para a RMN as pessoas eram presas arbitrariamente, não havia mandados de captura legais, as sedes de diferentes partidos políticos eram assaltadas e incendiadas”, disse.
A convulsão que tomava conta do país levou então o general a aplicar medidas que incentivassem um relacionamento “franco, leal e aberto entre todos os militares da RMN” e a própria população. Viviam-se as vésperas de mais um golpe que foi evitado, “foi a derrota, sem sangue, do PCP e dos grupos de extrema-esquerda”.
Mas o mérito de evitar o que poderia ter sido uma guerra civil, segundo Pires Veloso, deve-se ao general Costa Gomes e aos “pontos de apoio”, como a RMN.
“Tentaram esconder o que foi a Região Militar do Norte e o valor da população e elegeram uns heróis de Lisboa que não fizeram nada”, acusou.
A defesa do Norte e o “título” de “Vice-Rei” valeu-lhe, em 1977, a entrega da espada de prata da cidade do Porto e a manifestação de apoio de cerca de cem mil pessoas. No entanto, Pires Veloso foi, na altura, “impedido” de acolher a homenagem. “Era preciso castigar-me porque tive a ousadia de transformar o Norte, juntamente com a Força Aérea, num bastião que havia ajudado a derrotar o Partido Comunista”, revela no seu livro de memórias.
Estas e outras denúncias são feitas ao longo de 462 páginas, numa autobiografia que conta com o prefácio de Mário Soares. “Vice-Rei do Norte” é sobretudo um testemunho de quem viveu como protagonista um dos principais momentos da História contemporânea de Portugal.
Biografia de um General “sem medo”
Pires Veloso nasceu em 1926 na aldeia de Folgosinho, concelho de Gouveia, na Beira Alta, mas viveu desde os nove anos em Vila Nova de Gaia. Aos 20 anos ingressou na Escola do Exército, onde concluiu o curso de Infantaria e, posteriormente, o de Tirocínio, na Escola Prática de Infantaria. Iniciou a sua carreira militar em Macau, onde prestou serviço como Alferes entre 1949 a 1951.
Durante a Guerra Colonial prestou serviço em Angola, de 1961 a 1964, e em Moçambique, com três comissões, 1965 a 1967, 1968 a 1971 e 1972 a 1974.
Após o 25 de Abril de 1974 foi nomeado Governador e mais tarde Alto Comissário de São Tomé e Príncipe, país que acedeu à independência em Julho de 1975.
Em Setembro de 1975, e até Novembro de 1977, assumiu o Comando da Região Militar do Norte. Afastado por motivos que explica no livro, Pires Veloso foi depois frequentar o curso superior de Comando e Direcção do Instituto de Altos Estudos Militares. No entanto, só em 1988, por intervenção do então Presidente da República, Mário Soares, é que ascendeu a Oficial General.
Hoje em dia dedica a maior parte do seu tempo ao cultivo de pomares, na região da Beira Alta.

10 Comentários
Parabéns, amiguinho, o resultado está á vista.
um muito obrigado por nos permitir viver em democracia
Viva o 25 de Abril!Viva Portugal!
25 de Abril Sempre - Fascismo Nunca Mais!
Vivam as Forças Armadas Democráticas!
"Vice-Rei", português, que não obedecia a Cunhais ou outros arrivistas do género, que funcionavam sob as ordens e interesses da URSS:.Quem ofende Pires Veloso, não é um cidadão informado, e deveria abster-se de fazer figuras ridículas como as que aqui vemos.
Lembrem-se por exemplo, do casal MORTO no RAL_1
por fazerem um comentário à situação de anarquia que se viva ali! e da bomba na Rádio Renascença, dos mandatos assinados por Otelo, em branco, e de tantas outros "mimos" desta época negra da nossa história!
1 conselho: Falem do pouco que devem saber e não dêem ouvidos à mentira!..para não fazerem estas tristes figuras!!!
"Vice-Rei", português, que não obedecia a Cunhais ou outros arrivistas do género, que funcionavam sob as ordens e interesses da URSS:.Quem ofende Pires Veloso, não é um cidadão informado, e deveria abster-se de fazer figuras ridículas como as que aqui vemos.
Lembrem-se por exemplo, do casal MORTO no RAL_1
por fazerem um comentário à situação de anarquia que se viva ali! e da bomba na Rádio Renascença, dos mandatos assinados por Otelo, em branco, e de tantas outros "mimos" desta época negra da nossa história!
1 conselho: Falem do pouco que devem saber e não dêem ouvidos à mentira!..para não fazerem estas