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Vila Real // UTAD não desarma na luta contra as barreiras Por: Frederico Correia / Secção: Actual / 30-09-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Frederico Correia
Protótipo para auxiliar cegos a votar foi testado durante as legislativas

Já começa a ser habitual que o Centro de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade – CERTIC, em dia de eleições, mobilize esforços para chamar a atenção para os problemas dos cidadão com deficiência. Depois de ter questionado as acessibilidades físicas às mesas de voto, o organismo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) desafiou o “cidadão comum” a experimentar uma nova tecnologia que auxilia cegos e analfabetos a exercer o seu direito de forma independente e confidencial. A tecnologia é simples e baseia-se numa interface áudio-táctil, que permite através do tacto receber, via audição, a posição em que figura cada partido no boletim de voto. Com recurso a um teclado liso e um computador programado para a actividade, o CERTIC garante que poderá dar “independência e privacidade de voto” a pessoas com deficiência visual ou que não conseguem ler. Francisco Godinho, director deste organismo, salientou que “são equipamentos que se encontram em espaços de internet ou em espaços de ensino especial”, como tal, o custo desta tecnologia é “perfeitamente comportável para qualquer município e seria possível instalar várias mesas em todo o País”. Depois de ter sido debatida, em Assembleia da República, a necessidade de dar acessibilidade a todos os cidadãos no acto de exercer o direito ao voto, ficou o compromisso de que os governos terão de colmatar estas lacunas. Porém, para o responsável pelo CERTIC, a única forma de abranger este direito será a criação de “medidas legislativas que impeçam mesas de voto sem acessibilidades”. Aquando das Eleições Europeias, em Agosto, este organismo da UTAD, juntamente com o Núcleo de Alunos de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade, denunciou a falta de acessos a uma mesa de voto na cidade de Vila Real. Curiosamente, para o acto eleitoral do passado dia 27, foi colocada uma rampa de acesso a pessoas com mobilidade reduzida na entrada para essa mesa de voto. “É manifestamente insuficiente que se coloque uma rampa num local que aparece na televisão e é exposto a nível nacional. Não se pode estar a desenvolver um mecanismo para pessoas tetraplégicas, se elas não conseguem chegar à mesa de voto, após entrarem no complexo”, referiu Francisco Godinho. Por isso, este académico apela a um empenhamento sério nesta matéria das acessibilidades e este é “mais um contributo para encontrar soluções”. Quanto aos que aderiram à iniciativa, todos eles sem deficiências visíveis, apreciaram o mecanismo e louvaram a iniciativa. Sónia Cherpe achou o mecanismo muito “acessível e útil” e, de olhos vendados, conseguiu encontrar o partido que procurava. “Obviamente que não tenho experiência de um invisual e tive de me adaptar e procurar com o tacto, o que é estranho. Para quem já está habituado a lidar com esta dificuldade e com o som como principal sentido será, certamente, mais fácil”, salientou. Apesar da sua “apresentação pública”, este mecanismo não passa de um protótipo e, por isso, a precisar de “ajustes e afinações”. O contributo de Adelaide Afonso serviu para isso mesmo, pois a sua experiência foi “muito confusa”. “Acho que ainda não está muito certo, porque o som não dava quando eu carregava e, depois de eu passar para outro partido, dava o som do anterior”, avaliou.

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1 Comentário Feed

Fenando Neves · escreveu em 02-10-2009 às 00:46:10
Nunca é demais insistir nesta tecla, a tecla da acessiibilidade. Ao longo de muitos anos assiste-se a uma propaganda "política", logo pouco credível, de que estamos no caminho certo para diminuir as diferenças que impedem os "diferentes" de ter uma vida menos descriminada. Eu próprio, cidadão deficiente, tenho acompanhado e participado em iniciativas, demonstrando que é pouco o que se gasta e muito o que se ganha quando, se quer trazer o cidadão deficiente para o exercício do direito da cidadania. Deixem-se de entender estes projectos como "coisas engraçadas", vindas de miúdos que andam na universidade. Por esta teimosia, o país perdeu, e reconheceu mais tarde, que o Engº (das engenhocas) Jaime Filipe deu e inovou muito na área da reabiitação. Hoje há até um prémio com o nome dele. É característica nossa (dos nossos políticos) invocar. Seria muito útil, para nós deficientes em particular e para o país em geral, que apoiassem o desenvolvimento destas "geringonças". Não acredito que certa classe política o faça, porque, apesar de ser certo que em eleições por um voto se perde, por um voto se ganha, os deficientes ainda não decidem eleições, Mas se todos os deficientes tiverem consciência que as podem influenciar, quem sabe não os levem mais a sério.
Parabéns "gente doida" da UTAD.
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