Autárquicas'17

Carlos Guerra acusa PSD de “desespero” nos comícios pelas aldeias e promete cancelar obras na Av. João da Cruz

Publicado por AGR em Qui, 2017-09-28 12:58

Foi um dos pontos troantes do comício do PS nesta última semana de campanha para as autárquicas. Carlos Guerra, candidato socialista à Câmara Municipal, acusa os adversários do PSD de “desespero”. “O que se está a passar é que nos comícios que o PSD tem feito, como em Lanção ou Santa Comba de Rossas, disseram textualmente: “se não votarem em nós, não vão ter nada, nem um cêntimo”. Acho que isso, mesmo que saia no calor dos comícios, pode ser admissível quando quem faz esse tipo de afirmações, não é propriamente a figura. Deus me livre de vir para aqui dizer para votarem em mim porque o Governo me vai tratar melhor. É abusivo”, acusou o candidato socialista.
“Mas este caso vem na sequência do que tem sido o comportamento padrão, como o aliciamento a alguns dos nossos presidentes de junta. É lamentável, pois até aqui a campanha estava a correr impecavelmente. Cada um apresentava o seu projeto, não precisamos de andar a fazer ameaças nem coisa nenhuma. Há tanta dignidade em saber ganhar como em saber perder”, disse ainda Carlos Guerra, que atribui estes casos a “desespero” dos adversários.
“Recomendaria que alguns elementos de maior responsabilidade do PSD não entrassem em desespero. Algumas coisas apontam para que possam ter uma desagradável surpresa no dia 1”, estima, sublinhando que “há infelizmente gente dentro do PSD que não honra aquilo que são as tradições e a cultura democrática do seu partido”. “Entraram no processo de coação, ameaça, discriminação. Há uma freguesia que não teve um cêntimo de investimento. O presidente da câmara não tem vergonha de dizer nas aldeias que se não votarem nele não vai fazer lá obra nenhuma. Isso é chantagem. Fica-lhes muito mal. É preciso saber perder. Que sejam ao menos dignos da história do vosso partido. Tenham vergonha na cara”, atirou.
Num comício que decorreu no pavilhão municipal esta terça-feira à noite e que juntou cerca de meio milhar de apoiantes socialistas, Carlos Guerra prometeu “dar continuidade ao que de bom se tem feito nos últimos anos”. “Mas quem fez? Os Governos PS”, dando como exemplo o teatro municipal ou o programa Pólis. “É bom que nunca ninguém em Bragança se esqueça que em 2011 os responsáveis do PSD discutiam se se deviam parar as obras do IP2 e IC5”, lembrou, num comício onde também marcou presença Humberto Rocha, que há quatro e há oito anos avançou como independente, tendo sido eleito vereador em ambas as situações.
Quanto à cidade de Bragança, Carlos Guerra promete pôr “na gaveta” as obras previstas para a Av. João da Cruz, uma das principais artérias da sede de concelho. “Absolutamente. Aquilo não é um projeto. Quando estudei nos EUA, costumavam dizer que não há futuro para um povo que não respeita o seu passado. A Av. João da Cruz representa um determinado momento da história da cidade, a passagem da parte medieval para a parte moderna, da chegada do comboio. É uma réplica das avenidas do final do século XIX. Nunca percebi o porquê desta sanha destruidora destes símbolos”, disse, já no final de um comício que contou com a presença de Jorge Gomes, que jogou em casa, apesar de representar o PS nacional.
Jorge Gomes lembrou as últimas eleições legislativas para considerar que “valeu a pena a mudança”. “A Geringonça governa e governa bem. Em dois anos foram criados 200 mil postos de trabalho líquidos. Segundo os dados do INE, a economia regista um crescimento três por cento e o desemprego caiu para os oito por cento. O salário mínimo vai subir outra vez. Agora temos de desbloquear progressões nas carreiras e fazer aumentos na função pública”, enumerou, deixando ainda bicadas à atual gestão autárquica. “Isto é que é governar. Mas vem aí a grande reforma deste Governo, a descentralização. O poder local gerir mais próximo dos seus cidadãos. Mas de nada serve transferir para os presidentes de câmara para ficarmos com presidentes como o que temos em Bragança? Um presidente que tem necessidades no seu concelho e deixa dez milhões de euros no banco, é um mau gestor”, acusou.
Ao palco subiram os vários candidatos, tendo a palavra vários dos elementos da lista à Câmara, o candidato à Assembleia Municipal (Sampaio da Veiga) e à União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, Artur Pires.
Quem não falou foi o presidente da concelhia socialista de Bragança, Luís Silvestre, nem Sandra Valdemar, líder das mulheres socialistas que, contudo, marcaram presença no comício.