Igreja // Diocese

“O que João Paulo II dizia vinha do seu coração e não dos seus lábios”

António G. Rodrigues em Qui, 29/05/2014 - 11:48

Uma das maiores qualidades do Papa João Paulo II era a sua capacidade de comunicação. Quem o diz é Joaquin Navarro-Valls, o espanhol, médico psiquiatra que, durante 22 anos, foi o porta-voz do Vaticano.
Em entrevista exclusiva ao Mensageiro de Bragança, a poucos dias de se assinalar o 48º dia Mundial das Comunicações Sociais (domingo, dia em que a coleta nas eucaristias da diocese reverte a favor das Comunicações Sociais), o catalão atualmente professor na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, diz que João Paulo II primava pela clareza. “As coisas eram tão claras na sua cabeça que, depois, era muito claro a expô-las. Não havia lugar a ambiguidades. Era muito claro e brilhante. As pessoas ficavam convictas quando o ouviam porque ficavam com a impressão que o que ele dizia vinha direto do seu coração e não dos seus lábios”, sublinhou Navarro-Valls.
O antigo porta-voz do Vaticano acredita que “é inevitável” que a Igreja se adapte aos novos tempos da comunicação, em que as redes sociais desempenham um papel importante na sociedade. “O mundo está a mudar e a Igreja não o pode parar. É inevitável”, sublinhou.
Navarro-Valls afasta, no entanto, a ideia de que as redes sociais possam ser um perigo para a Igreja. Acredita mesmo que, pelo contrário, são “uma oportunidade”. Tudo é uma oportunidade. Contudo, “explicar o Mistério da Santíssima Trindade no twitter é difícil”, diz, com uma gargalhada. “As redes sociais não podem substituir livros e estudo mas não é por isso que não podem ser usadas. Mas não sejamos tão ingénuos ao ponto de acreditar que podemos dizer tudo no twitter ou no Facebook”, frisa.
 
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