Olhar // Diocese de Bragança-Miranda

“Os muros do seminário não prendem ninguém”

AGR em Seg, 18/11/2013 - 12:11

O Pe. José Luís Pombal é o representante da diocese de Bragança-Miranda na equipa formadora do seminário interdiocesano, que congrega seminaristas das dioceses de Bragança, Lamego, Guarda e Viseu. Por ocasião da Semana dos Seminários, o Mensageiro foi à procura de um olhar mais completo acerca das vocações sacerdotais, num tempo em que a tecnologia abriu novas portas à evangelização.
 
Mensageiro de Bragança: O que é o Seminário?
Pe. José Luís Pombal: Há uma expressão que eu gosto muito e que diz o Seminário de uma forma profunda e alargada. Quando eu entrei no Seminário de Bragança, havia umas letras desenhadas na portaria que diziam: Escola do Evangelho. O Seminário é isto. Mais tarde, com algumas leituras vi esta expressão completada da seguinte maneira: Escola do Evangelho da Vocação. É a definição, sem deixar de ser desafio. Um seminarista é desafiado a crescer numa estreita amizade com Cristo para que ele próprio, continuamente transfigurado por Cristo, se torne evangelho. Isto não é exclusivo da vocação ao sacerdócio, e por isso do seminarista, mas é comum a todos os batizados. Todo o cristão é chamado a crescer na amizade com Cristo e a converter-se em evangelho para o mundo.
MB.: Então, hoje o Seminário ainda faz sentido?
PJLP.: Sim, faz sentido.

MB.: Em que termos?
PJLP.:Enquanto realidade eclesial, que sem fugir à mesmíssima natureza evangelizadora de tantas outras realidades eclesiais, tem a específica missão de acompanhar de perto os futuros pastores das nossas comunidades ao longo do tempo formativo. O Seminário não é tanto um espaço académico, nem é chamado só a regular a progressiva integração dos seminaristas no campo pastoral. O Seminário é, sobremaneira, tempo de crescimento humano e espiritual.
Agora, em termos mais concretos, se o Seminário tem de ser nos moldes que tem vindo a acontecer e, por isso, inevitavelmente interdiocesano, ou se deve ser segundo a experiência parisiense, ou se deve ser doutro modo, não sei… Sei que não me parece vantajoso qualquer dogmatismo neste ponto. O que deve ser feito é o acompanhamento aos candidatos ao sacerdócio. Cada pessoa é uma pessoa, cada história vocacional é própria, daí que o acompanhamento deva ser personalizado. Sem este acompanhamento, dificilmente é a natureza da vocação a definir a identidade do chamado. Agora, uma coisa é certa: este acompanhamento não se faz sem recursos humanos disponíveis.

MB.: Que exigências se colocam hoje aos Seminários?
PJLP.: Hoje, mais do que nunca, é necessário saber educar na liberdade. Os muros do seminário, quando os há, não prendem ninguém. As janelas do mundo digital estão sempre escancaradas. Tudo são potencialidades. Haja verdade! Vejo um caminho, que é o seminário deixar de ser mais instituição para ser mais família. Temos procurado isso no seminário interdiocesano.
MB.: Quais as linhas orientadoras em que assenta o projeto formativo do nosso Seminário interdiocesano?
PJLP.: Aquando da nomeação da atual equipa formadora, os nossos bispos pediram que fossem preparados os estatutos, o regulamento e o projeto educativo próprios. Bem, tenho a dizer que é um ponto falado nas reuniões semanais da equipa. Não o temos ainda entre mãos. Mas conhecemos bem as linhas orientadoras do magistério quanto à formação nos seminários, e procuramos segui-las tanto no campo humano e espiritual, como no campo académico e pastoral.