BACK TO BASICS

O conceito é conhecido e frequentemente usado como justificação para campanhas de marketing arrojadas e disruptivas que pretendem recuperar conceitos antigos que de repente ficaram de novo válidos e com acrescida maior valia. Independentemente da justeza do percurso anterior que levou à sua subalternização relativamente a outros entretanto adotados e usados.
Vem isto a propósito dos hospitais distritais. A lógica que levou à implementação de grandes estruturas que tenham concentrado várias valências em locais centrais faz sentido e tem a sua justificação. Com a melhoria das vias de comunicação e com a maior celeridade de socorro quer pelo uso das tecnologias avançadas de telecomunicão (telemóveis, telediagnóstico, GPS, etc) quer pelo recurso às VMER e helicópteros a assistência local perdeu importância. Sendo relativamente fácil e rápido fazer deslocar os utentes para grandes unidades centrais seria possível servir melhor a população pois conseguiu-se reunir, nessas unidades, especialistas e equipamento médico sofisticado que seria impensável distribuir pelas Unidades Locais de Saúde. O serviço prestado era melhor. Contudo...
Se o objetivo foi reunir num mesmo local uma grande quantidade de doentes para serem tratados obviamente que é nesse local que igualmente se concentram as doenças que os mesmos transportam e os respetivos agentes patogénicos. Os grandes hospitais são, não só o lugar onde se agrupam especialistas e sistemas avançados de combate às doenças, mas também de chegada, reunião e partilha das mais diversas e variadas doenças, desde as mais comuns às mais exóticas e perigosas. É pois aí que se travam as maiores batalhas a que este combate contínuo obriga e dá sentido. Também por isso é lógico apostar a sério nas suas capacidades técnicas. Desde que estas estejam à altura, nada a opor. O problema vem quando, por qualquer razão, as ferramentas de combate fraquejam e são diminuídas precisamente por causa dessa aglomeração.
É o caso das bactérias multi-resistentes.
É nos locais de uso intensivo de anti-bióticos e de acumulação massiva de agentes patogénicos que surgem e, para agravar mais o problema, facilmente se disseminam infetando sobretudo indivíduos fragilizados que são terreno fértil para estas infeções oportunistas e implacáveis.
Uma epidemia causada por uma bactéria multi-resistente tem um custo devastador, não só ao nível dos problemas de saúde causados aos doentes, como, inclusivé, económicos pois é frequente obrigar ao encerramento de alas inteiras, quando não de unidades completas.
É altura de repensar a estratégia de localização das unidades de saúde. Os ganhos a curto prazo podem ficar caríssimos no médio e insuportáveis no longo prazo.
É altura de voltar a valorizar os antigos hospitais concelhios.
Por razões de saúde. Por razões económicas.
Mas, sobretudo, para bem de todos