Clã dos Monopólios e Corporações….

Fomos habituados, há muito que disso se fala, do efeito económico nefasto provocado por um monopólio. Um serviço ou um bem, singular, é vendido por uma única empresa ou grupo económico. Sabe-se que qualquer Estado, em época excepcional, pode decretar um monopólio, como exemplo o combustível em tempos de guerra. De criança, jogo das infâncias e do imaginário, muito dinheiro ganhamos na compra e venda, cimentando amizades e unindo famílias.
Viajando através das badaladas vias auto-estradas, somos confrontados com cartazes inúteis, mostradores de aviltamento, espelho de nossa estupidez passiva, deixando para outros o confronto, a indignação. Ali, perante preços concertados, iguais nos diversos agentes económicos, marcas opostas, salta à vista um oligopólio disfarçado, real, nas barbas de todos, com a complacência das autoridades que nos governam, de sempre.
Estes mesmos governos, desde a madrugada libertadora, sedentos da quimera do poder, amnésicos do termo igualdade, preferem o alheamento perante o agigantar do fosso separador entre ricos e pobres. As leis, fabricadas por paus mandados que gravitam nos passos perdidos do templo da democracia, marionetas dos detentores dos dinheiros que tudo comanda, potenciam o amealhar de alguns em detrimento dos que labutam do nascer ao por do sol, por uma côdea e um tostão furado.
Mas, formigando no epicentro social, no coração da classe média, aspirando ao inatingível escalão milionário, gravitam as corporações, cancro da democracia, maternidades dos que se julgam diferentes e, como tal, achando-se a direitos diferenciadores, a regalias senhoriais. Magistrados, professores, médicos, enfermeiros, forças militares, pilotos da TAP, operacionais dos transportes públicos e um cem número de classes oriundas do Sector do Estado, todos agachados nas costas de sindicatos inúteis agarrados ao carvão da revolução industrial, gozam com a cobardia de políticos de polichinelo. Horários de espantar, férias a perder de vista, tempos para aposentação inexplicáveis, acumulação de pensões, rendas de habitação pagas, jornas semanais que indignam o Sector Privado, marcas de quem se acha de escolha divina.
Sentado, no recato do lar, assisti atónito à telenovela dos táxis, aos furibundos atazanadores do caótico trânsito citadino. Os raciocínios tentando explicar o que já todos perceberam, os esgares que nos mostram origens na idade da pedra, os sindicatos no atiçar, o governo atrás do biombo, homens de família perseguidos no ganha pão, jornalistas tarantas, televisões sangue suga, flashes de telejornais que nos tiram o sono.
Depois de tudo espremido, escalpelizado nos Prós e Contras, a evidência sobressai, o clube não aceita a entrada de mais um pois que a Uber, reles estrangeirada futurista e organizada, não pode entrar no Clã dos Monopólios e Corporações…