A opinião de ...

Enquanto esperamos pela América

Escrevamos sobre Portugal enquanto não podemos escrever sobre as eleições para Presidente dos Estados Unidos da América porque Mensageiro de Bragança tem de encerrar a sua edição semanal até às 24 horas de cada terça-feira e os resultados das eleições só serão conhecidos lá para as 15h00 de quarta-feira embora as projecções de resultados possam aparecer lá para as 10h00. Isto porque a diferença horária entre New York e Los Ángeles é de três horas e a de Lisboa para New York é de cinco.
E escrever sobre quê, em Portugal? Os temas do presente são o Orçamento do Estado e os gestores da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O segundo, propositadamente por parte de António Costa e do Entendimento à Esquerda, para encobrir o primeiro, indo no engodo a Direita, que o não é mas que foi convencionado que o seja, para marcar o território da Esquerda.
Infelizmente, em Portugal, não há Direita e a Esquerda também se resume ao PCP e aos trotkystas e maoístas. O resto da Esquerda (BE e PS) é «esquerda do caviar». A expressão é de um jornalista do Le Monde para expressar a vida de capitalista e de burguês dos socialistas e satélites, ou seja, ser de Esquerda com o pensamento e com a vida da Social-Democracia.
Sobre o Orçamento do Estado, há pouco a dizer numa terra e num povo com pouco dinheiro. E, sendo assim, vivemos e queremos viver com as dívidas. Programa-se um orçamento já com défice (87 mil milhões de despesa para 84 mil milhões de receita, sendo que, destes últimos, só 70 mil milhões têm sustentação objectiva) para alimentar os poucos benefícios sociais existentes e a recuperação salarial.
A ideologia subjacente é de esquerda: impostar mais os maiores rendimentos e património e não penalizar mais o consumo, já muito penalizado pois o IVA médio já vai em 16,5%, o que penaliza imenso os pobres e os remediados. Com efeito, das despesas de uma família normal, só 25% delas são taxadas a 6% e 5% delas a 13%. Explicarei isto em breve com detalhe.
Os orçamentos da Educação e da Saúde continuam a baixar e o da Segurança Social a subir. O desta já vai em 36 mil milhões (42% da despesa). É o preço do envelhecimento, do desemprego, da pobreza e da precarização do emprego jovem. Esta tem contornos sádicos: um jovem entre os 20 e os trinta e cinco anos ganha hoje, em média, 700 euros. Os adultos acima desta idade ainda ganham, em média, 1.200 euros. Quem, dentro de vinte anos, vai pagar o Orçamento e a Segurança Social? Ninguém se preocupa: é preciso viver o presente e chular o Estado. 
Como somos uma oligarquia de gestores, enquanto eles ganharem bem estaremos mal. No privado, eles ganham bem porque sustentam os vícios dos clientes e dos accionistas. No público, eles ganham bem porque oferecem o Estado aos partidos e aos vampiros. Não haverá ninguém que tome conta da paróquia para a pôr na ordem?

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