Olhar em frente

À medida que a sociedade evolui, também a complexidade das relações humanas se torna mais confusa e diversificada, ganhando a afirmação pessoal e a adoção de valores e identidades contornos mais diversificados e não menos requintados. Embora as redes sociais tenham potenciado outras formas de estar e ser, individuais e coletivas, uma incursão breve pelo universo das interactividades humanas, traz à lide, a crise de identidades, de afirmação pessoal e dos valores que deverão nortear a sã convivência social.
 Há homens e mulheres que têm uma grande dificuldade de mostrar a sua verdadeira cara, apenas mostram uma face da moeda, à mistura com alguma artimanha, tentam ilusoriamente fazer parecer o contrário.
Servem-se de subterfúgios, " tipo camaleão", para esconder a sua opinião social, os seus pontos de vista e assim a sua verdadeira identidade como seres pensantes, os quais, supostamente, deveriam ter uma palavra a dizer, nomadamente sobre os problemas que assolam a sociedade em geral.
Assim, esta latente indefinição traz à nossa memória e faz mais sentido, o mote da canção de António Variações, "estou bem, quando não estou bem, eu só quero ir, a onde eu não posso... ".
O relacionamento social, neste contexto, torna-se deveras enigmático e cada vez mais difícil, resultando desta situação, homens e mulheres “faz-de-conta”, enfim, de “emplastros”, tão cheios de dúvidas e de receios.
Não assumir o verdadeiro “Eu” também poderá significar, a falta de auto-estima, de um certo défice de afirmação pessoal, a negação das próprias condutas de aceitação social, ou ainda a recusa de princípios básicos da convivência em sociedade.
Ser, implica empreendimento, acreditar numa certa utopia, ter muita vontade de revolucionar o mundo, significa, olhar de frente para os problemas do quotidiano e dizer, estou presente! Estou vivo!
Olhar em frente... Significa sobretudo, não ter medo do amanhã, manter a coluna vertebral direita, dizer sim, dizer não, dizer o que vai no coração e no íntimo do ser humano. Aceitar, respeitar. É que dizer “Não” ou discordar do outro, de forma clara e educada, não só contribui para a valorização da auto-estima, como também da credibilidade pessoal e coletiva.
Assim, as palavras ganharão mais sentido e outro valor, sobretudo quando transmitem credibilidade e afirmação da personalidade.