Setembro de educação

Setembro é um mês de esperança, o mês por excelência do pensamento do futuro, levado nas asas da educação. As crianças que entram pela primeira vez na escola entram cheias de expectativas. As escolas universitárias enchem-se de jovens em busca de sonhos.
Em Setembro, fala-se muito de educação, essa palavra equívoca que atirou para a Escola com todas as responsabilidades pelo futuro das crianças e jovens, misturando no conceito as responsabilidades da sociedade, dos pais, dos professores e dos próprios alunos.
Querer que os professores sejam sequer os principais responsáveis pelo comportamento futuro dos alunos só pode ser um acto ou de inocência ou de ignorância ou de cobardia. Os professores não podem tudo e pedir-lhes tudo é tornar mais difícil a sua missão de ensinar. Como dizia Paulo Freire, os professores e a escola só podem alguma coisa. O resto é com a sociedade, com os pais e com os sistemas organizativos relacionados com a escola e com a educação.
Apesar de rejeitarem o discurso normativo do super-professor (o professor capaz de fazer tudo e obrigado a fazer tudo), os professores, pelo menos a grande maioria dos professores, generosamente, vão dando o melhor de si para proporcionar aos alunos um bom ensino, uma boa aprendizagem e um bom comportamento social (que os antigos e os modernos designavam por boa educação) mas vão também chamando a atenção para que a instabilidade das políticas educativas torna tudo mais difícil e desmotivador.
Por isso, um estudo recente, promovido pela fundação Manuel dos Santos e coordenado por Joaquim Azevedo, chama a atenção para que dois terços dos professores estão desmotivados, baralhados e desiludidos e um terço com vontade de abandonar a profissão. Tal terço é constituído pelos professores em viagem, que nunca estabilizaram em termos de emprego, que nunca sentiram o amor suficiente para o poderem dar aos alunos.
O mesmo Joaquim Azevedo disse em Bragança, no Encontro de Boas Práticas Educativas, que também gostaria de ver 100.000 professores a desfilar em Lisboa em luta pela autonomia da profissão docente e pela possibilidade de uma gestão da escola mais capaz de tomar boas decisões educativas. Porém, os professores, apesar de toda a sua boa vontade, ainda estão prisioneiros dos sindicatos, que são muito mais políticos do que profissionais e actuam não ao serviço da educação mas sim ao serviço dos respectivos partidos políticos e dos próprios dirigentes. Portanto, a traição democrática também ocorreu no seio de uma organização profissional especializada.
O que a mim me pareceu que Joaquim Azevedo quis dizer àqueles 250 professores que se mobilizam em torno do seu Centro de Formação Bragança Norte é que tinham de se libertar de todas as tutelas políticas, ideológicas e burocráticas e dedicar-se à luta por verdadeiras condições de exercício profissional. O futuro dirá se perceberam a mensagem e se a querem seguir.