A TORRE DE BABEL O PENTECOSTES E A BIBLIOTECA DO SEMINÁRIO

“Em toda a terra, havia somente uma língua e empregavam-se as mesmas palavras” ... “O Senhor, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os filhos dos homens estavam a edificar. E o Senhor disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projetos. Vamos pois descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não se compreendam uns aos outros” Genesis 11:1-7
Com o intuito de impedir que os homens se concentrassem e construíssem uma torre que chegasse ao céu em vez de cumprirem a determinação divina imposta a Adão e seus descendentes (“Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”) Deus criou várias línguas que os confundiu e separou.
Séculos mais tarde, cinquenta dias após a morte de Jesus, são outros os desígnios divinos. “Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram, então, aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas” ... “ cada um os ouvia falar na sua própria língua.” Actos dos Apótolos 2: 1-6
 
Deus criou as diferentes línguas para que os homens se desentendessem e mandou o Espirito Santo iluminar e inspirar aqueles a quem confiou a missão de espalharem a Boa Nova por entre os estranhos e estrangeiros. O mesmo poder divino que dividiu e confundiu foi usado para unir e congregar. O Pentecostes é a antítese e o contraponto da Torre de Babel se bem que o efeito desta foi marcante e permanente enquanto que o outro foi passageiro e indicativo. Mesmo que a capacidade poliglota dos apóstolos não se tenha replicado, não foram as diferenças linguísticas que impediram que a religião cristã chegasse a todos os lugares conhecidos. Aliás, a pluralidade de expressão e diversidade de ideias e interpretações acabaram por ser integradas e usadas em benefício da religião fundada pelo Nazareno. Muitas dessas ideias, pensamentos, reflexões, em latim, grego ou línguas novas e modernas estão registadas em livros e são vulgarmente usadas pela hierarquia religiosa para a formação dos seus agentes e colaboradores. Formação que passa a ser propriedade de quem a recebe mantenha-se ou não ao serviço da estrutura formadora.
 
Os seminários diocesanos foram, reconhecidamente, enormes alfobres de cultura e instrução para muitos e muitos jovens da nossa terra que, de outra forma, dificilmente lhes teriam acesso. A diversidade iniciada em Babel e a unidade construída em Jerusalém esteve desde há muito plasmada na riquíssima biblioteca do Seminário Maior de S. José, em Bragança. Em visita recente tive oportunidade de verificar os estado de degradação que a mesma tem e cuja recuperação que se impõe está dificultada pela insuficiência dos recursos financeiros escassos.
Há contudo um dever de gratidão de uma multidão de transmontanos para com esta instituição que se deve manifestar num movimento de apoio à reconstrução da sua biblioteca, seja a título individual seja através das Câmaras Municipais do Distrito que a todos representam.