José Mário Leite

O CAMELO E A AGULHA (II – A MULTIPLICAÇÃO NATURAL)

Terminei o meu texto anterior contando a história do António que depositou um milhão de euros no banco do Aníbal. O negócio dos bancos, como é sabido, é emprestar, com juros, o dinheiro dos depositantes. Foi assim que o Abel recebeu do banco o milhão que o António ali tinha depositado como empréstimo para fazer a sua fábrica. Quem lha construiu foi o António que era empreiteiro e recebeu esse mesmo milhão que depositou na sua conta. Ficou assim com dois milhões na sua conta corrente, pese embora no banco só haja um milhão de euros!


OS PARAFUSOS DE D. QUIXOTE

Em Belém do Pará, celebrandro a cultura lusitana em parceria com a Academia Paraense de Letras, Fernando Calado, romanticamente, discorria sobre a suposta passagem de Cervantes por Bragança. Ideia agradável que me aconchegava o ego nordestino. O espírito científico de João Cabrita veio deitar água no fogo duvidando da tese carreada pelo poeta de Milhão. Faltariam provas evidentes a comprová-la, sobrando indícios a contrariá-la. Reconhecendo a validade do argumentário do João, a história contada pelo Fernando é, sem dúvida, a minha preferida.


A MAIOR AMEAÇA É INVISÍVEL E NÃO TEM CÉREBRO

A forma como escrevo as minhas crónicas é a mesma desde há muito tempo. Começo por escrever um rascunho onde a preocupação principal é registar as ideias. Gravo esse ficheiro que depois será revisto, corrigido e melhorado. Gravo por cima do anterior. Depois de uma última leitura é enviado para o jornal. Inexplicavelmente o ficheiro enviado para o Mensageiro e que constituiu a minha última crónica em vez de ter sido o ficheiro revisto e corrigido, foi o rascunho e estava com vários erros e incorreções. Só me apercebi desta lamentável troca quando recebi o jornal.