E agora, Senhor Presidente?

A distinção era esperada. Atrevo-me a escrever: nem de outra forma podia ser. Consumado o desejo de infância, a maioria dos portugueses sonham um Presidente da República atento, sereno, seguidor do rei Salomão nos juízos, equidistante das pulsões partidárias, apagando a acusação de possuir o fulgor da fácil troca de opinião.
A generalidade do povo (o tal povão) regozijava-se ao saber dos seus feitos no domínio das travessuras e deliciosas rábulas a recaírem sobre gente famosa, emproada, cultora das públicas virtudes e vícios privados. Actuava ao estilo do Robin dos Bosques sendo justiceiro causticador dos Calistos Elóis não à moda de Caçarelhos, sim na esfera da linha, da Gomes Teixeira e Assembleia da República. Agora, acabou o bródio do rindo castigo os maus costumes.
Senhor Presidente: não vale a pena lembrar-lhe as principais maleitas atenazadoras de Portugal, conhece-as muito bem, espera-se de si silenciosa e vigorosa acção de molde a os restantes actores políticos de primeiro plano após rodopiarem sobre si próprios assentem colocando as cabeças no devido lugar. Isto é: não à razão de juros, sim a pensarem serena e ajuizadamente, caso contrário o Presidente agora eleito terá de proceder como procedia a excelsa professora Dona Beatriz Monteiro e suas colegas a ensinarem (e ensinavam) na Escola da Estação da cidade brigantina.
Os restantes candidatos durante a campanha acentuaram o mofino comentário de Passos, o Senhor ser cum catavento, Portas esse rapaz imaculado não provou a sopa fria, provou pela sua mão a mistela que ele usou a torto, e a direito, especialmente no Independente, levando a formar-se rósea nuvem de malícia a aureolar-lhe a cabeça. É a vida, como diz o seu amigo Guterres.
A partir de agora é o Presidente de todos os portugueses, mesmo dos recalcitrantes a tal facto, a sua popularidade é vasta, vastíssima, acredito no seu tacto, sageza e talento na agregação da maioria, no paulatino ganho de influência nas instâncias internacionais porque Presidente de um País periférico e pequeno o seu máximo representante revela ímpares virtudes de estadista. Desejo isso.
Estou farto, estamos fartos de copiosas ceias de disparates, de lautos almoços de desvario e desperdício, de ruinosas merendas do sistema financeiro, precisamos e merecemos a regeneração pautada pela clareza de processos e atitudes.
O início da benéfica alteridade ganha força se começar no imediato do acto de posse, ou seja: o princípio da lufada de ar fresco a desanuviar o cerro tenebroso que nos tem assolado.
Sopre forte Sr. Presidente, sopre certeiro, sopre coerente, sopre listo e bem-disposto.
Força Sr. Presidente!