A MUDANÇA RADICAL NA EUROPA

 
As imagens por vezes são mais impressivas de que um texto e, em 2015, há três imagens que dão nota da mudança do que aconteceu na Europa.
 
A primeira imagem é a do velho pensionista grego em Atenas a aguardar pacientemente numa fila a abertura de uma caixa de multibanco que estava fechada. A segunda, o cadáver de um menino deitado numa praia da Turquia. A terceira imagem, um conjunto de tanques de guerra e de soldados a patrulhar a Avenida Louise, no centro de Bruxelas, completamente deserta dias depois do atentado de Paris.
 
Estas três imagens dão a noção que a vida dos europeus não vai ser a mesma que conhecemos até aqui e o ponto de interrogação é se é ou não possível garantir estabilidade perante esta realidade disruptiva que estas imagens nos transmitem.
 
Há que ter a consciência de que desde a segunda guerra mundial que não havia uma Europa com tanta instabilidade. Espaço Schegan, segurança interna, sobrevivência do Euro, aumento das desigualdades e possível saída do Reino Unido são alguns dos riscos de grande magnitude que a Europa corre neste tempo.
 
Em todos estes riscos está presente uma realidade incontornável. Todos eles são sistémicos, o que significa que nenhum Estado-Membro por mais poder que possua pode resolver por si só qualquer destes problemas.  
 
Mas o que tem acontecido é que até aqui as respostas às sucessivas crises têm sido quase sempre preparadas “ad-hoc” e na base e uma visão de muito curto prazo. Cada caso é tratado à medida, passo a passo, com base em planos que testam os limites da paciência e da solidariedade. 
 
A Europa é hoje um lugar em que várias crises acontecem ao mesmo tempo e que parecem ser tratadas de forma pouco profissional e em que as tentativas de soluções se vão progressivamente estatelando.

A Europa precisa de encontrar um ponto de equilíbrio que permita garantir controlo, confiança e estabilidade o que só pode ser assegurado por políticas mais integradas, por uma visão de médio prazo e pelo reforço da capacidade de antecipação a novas realidades que podem der muito surpreendentes.
 
Uma reforma do enquadramento legal, analítico e institucional capaz de preparar estas respostas deveria ser pensada e vamos ainda seguramente a tempo, até porque mesmo com as sucessivas crises a Europa tem resistido como provam os dados da situação económica em 2015, que foi o melhor ano desde 2007. A verdade é que apesar das sucessivas crises os países do sul da Europa e a Irlanda voltaram a crescer enquanto as chamadas economias emergentes começaram a decrescer.
 
Na Europa tem-se criado emprego. Desde o ponto mais fundo da crise, em meados de 2013, foram criados 9 milhões de empregos. Mesmo na periferia da Europa criaram-se 4,5 milhões de novos postos de trabalho dos quais 2 milhões em Espanha. Mas o grande problema da zona euro embora atenuado em 2015 ainda continua por resolver. Refiro-me à divergência dentro do espaço da zona euro.
 
Na periferia da zona euro o volume de emprego está 4 milhões abaixo do verificado em 2008 e o crescimento dos últimos anos ainda não permitiu que os países da periferia chegassem aos níveis do tempo pré crise. Enquanto a Zono Euro no seu conjunto já atingiu os níveis de crescimento que tinha em 2008 os países da periferia estão 8% abaixo do nível que tinham naquele ano de 2008.