O estudo dos valores Regionais

 
O estudo dos valores locais (de freguesia, de município e de região) tem sido bastante incentivado e procurado na última década. As Câmaras Municipais de Bragança e de Macedo de Cavaleiros iniciaram, no final da última década do Século XX, um conjunto de iniciativas de grande valor cultural que foram imitadas por quase todas as entidades locais (associativas, de freguesia e de município) no espaço regional do ex-Distrito de Bragança e incentivadas e apoiadas também pelo Estado.
É particularmente relevante a ação da Associação Terras Quentes, com sede em Macedo de Cavaleiros, criada há 10 anos, apoiada pela Câmara Municipal local, e que tem feito um trabalho notável ao nível do estudo arqueológico, do inventário e preservação do património religioso do sul do ex-distrito e do estudo histórico dos valores locais. A Câmara Municipal de Macedo criou recentemente a Associação GeoParque para a dinamização do património natural e edificado local. Criada em bases científicas, esta associação tem todas as condições para superar o trabalho do Parque Natural de Montesinho, cristalizado, adulterado e vandalizado em radicalismos ecologistas.
Não havendo nenhuma associação cultural, baseada na Sociedade Civil, no Concelho de Bragança, a Câmara Municipal tem feito um trabalho notável, ao nível da encomenda a especialistas, do estudo e publicação da cultura e da história do Concelho. Têm surgido várias publicações das quais a mais consistente, no plano científico, estará para sair em breve – Bragança na Época Contemporânea, coordenada pelo Professor Fernando Sousa.
Porém, a ação da Câmara não se tem limitado a encomendar mas também a apoiar iniciativas individuais, continuando um processo que sempre foi mais ou menos encetado, ao longo do Século XX.
A publicação dos estudos de Francisco Manuel Alves (o Abade de Baçal), de Monsenhor José de Castro, de Albino Lopo, de José Leite de Vasconcellos, de Hirondino Fernandes, de João Jacob, de José Rodrigues Monteiro, de Francisco Cepeda, de Amadeu Ferreira, de Henrique Ferreira (os deste não sendo especificamente nem sobre a região nem sobre o Concelho), de João Cabrita (uma obra sobre o Liceu de Bragança e seu patrono (1853-1979) e outra sobre Trindade Coelho) é porventura um bom exemplo da elevada qualidade com que a Câmara Municipal de Bragança tem sabido estar ao nível do seu património cultural, histórico e arqueológico e do da região.
Muitas outras obras individuais têm sido apoiadas, em vários domínios, desde a poesia, ao património cultural e edificado e à arte. Porém, faltam estudos em Economia, em Engenharia e em Governança, inclusive a da própria autarquia. E há ainda estudos muito úteis que nunca foram publicados.
É agora urgente promover o estudo de todas as acções encetadas ao nível da região porque há valores imensos. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Guerra Junqueiro e dos padres Firmino Martins e Mourinho. Mas há tantos outros!