Um gesto louvável em Soeima

Rendo a minha homenagem às mulheres de antanho, especialmente as dos meios rurais, procriadoras de proles extensas que iam criando com a maior das serenidades e, em casos múltiplos, o menor dos recursos materiais. Todavia, e sobremaneira, com muita ternura, muito carinho e muito amor, condimentos que chegavam para todos. Contrariamente às de hoje, vezes sem conta amarradas a egoísmos de ordens variadas, que habilmente tentam disfarçar com pretextos que não colhem, para recusarem prolongar-se na vida, filhos estorvos ao desígnio material que se propuseram.
Nos dias que correm o meu tributo vai para algumas mulheres que ainda esbanjam os seus tempos livres para os dedicarem ao bem comum, atitude altruísta e contrastante com os princípios e os valores dos tempos. Assim sucede em Soeima, onde três dedicadas jovens, mulheres de família, se entregaram à tarefa de angariar meios para a realização de obras no edifício da Igreja, através da confecção de almoços servidos a custos acessíveis a todos. Gesto que, parecendo singelo, implica trabalho árduo, sacrifício elevado, entrega. Sentir-se-ão, porém, singularmente retribuídas com a alegria que lhes proporcionarão o convívio, a boa disposição, o bem-estar daqueles que se lhes juntam nesses momentos, mormente essa mistura saudável de gerações diferentes que se encontram e interagem. Contam com a prestimosa colaboração da Junta de Freguesia, seja em termos pessoais, seja materiais, percorrendo caminhos e esforços paralelos, no sentido em que almejando louváveis objectivos comuns. Destarte se gera entreajuda que importa ser aceite, sem constrangimentos, para que escolhos se suavizem, ao encontro de forças maiores que se construam nas boas causas, assim se mantendo e reforçando a alegria destas três mulheres, desinteressadas de lisonjas, somente no bem comum interessadas. Entreajuda que todos pretenderão, sem atropelos e sem desvios da liberdade de cada um e do respeito a todos por todos devido, sustentada na boa-fé, obedecido que seja o princípio de «a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». Se é de louvar a atitude altruísta das jovens em apreço, enaltecer-se-á a postura autárquica, posicionada digna e honrosamente, seja agora, ou sempre que lhe foram solicitadas prestações de serviços e de bens que nem lhe competiriam, ao menos no todo. Expectável será que este pequeno passo em frente dado por estas jovens para uma obra que é de todos venha a ser acompanhado por passos maiores, da iniciativa de entidades e instituições a quem cabe o dever de zelo pelo colectivo, acima de qualquer inclinação pelo individual (quando não justificado).
Escrevo segundo a antiga ortografia.