A opinião de ...

“Não há maio sem trovões, nem homem sem calções”.

Já estamos em maio, mês das trovoadas, mas será que também maio já não é o que era? Recordo a minha infância, quando assisti a grandes trovoadas em maio, tão grandes que os ribeiros se enchiam em questão de minutos e muitas vezes galgavam as margens, os caminhos agrícolas ficavam intransitáveis e as perdas nos campos agrícolas eram frequentes, trovoadas que chegavam a meio da tarde duravam até de madrugada, os céus passavam horas a serem “rasgados” por raios que por instantes faziam da noite, dia.
Na verdade, no ano passado, tivemos uma época de trovoadas à moda antiga, com trovoadas fortes, generalizadas, com granizadas como há muito não se viam, as pedras de granizo chegaram a superar o tamanho de moedas de 2€, os estragos na agricultura foram muitos em toda a região desde Paradela de Monforte em Chaves até Armamar.
Por norma na reta final da Primavera, que agora iniciamos, é comum surgirem as baixas pressões térmicas no interior da Península, formam-se devido à dinâmica entre o ar muito quente em contacto com a superfície terrestre e por consequência menos pesado (pressão menor) e o ar nas camadas mais altas da atmosfera, menos quente e mais pesado (pressão maior), formando assim uma área de baixas pressões à superfície embora anticiclónica em altura e tudo indica que maio arrancará assim, com depressão térmica na Península Ibérica, garantindo temperaturas quentes.
A chegada das temperaturas altas à superfície propiciam assim o crescimento diurno de nebulosidade, como sabem o ar quente tende a subir, ao arrefecer nas camadas mais altas da atmosfera, condensa, gerando nuvens. Mas tal não acontece todos os dias, são necessários que se reúnam os ingredientes para que se formem trovoadas, talvez o mais importante seja a existência de ar frio nas camadas altas da atmosfera, que contribui cabalmente para que a atmosfera se destabilize, assim como a humidade, o índice CAPE/LI, etc.
Nos próximos dias, iremos assistir a um tempo maioritariamente estável, com temperaturas muito agradáveis em toda a região, mas também notaremos como durante a tarde irão aparecendo nuvens de evolução, que pelo menos para já dificilmente terão maiores consequências, a probabilidade de ocorrência de trovoadas significativas é ainda reduzida. As temperaturas irão continuar amenas, as mínimas irão variar entre os 5 e os 9ºC e as máximas entre os 19 e os 21ºC em Bragança, um pouco mais altas nos vales do Tua, Douro, Côa e Sabor.
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