Ambiente // Parecer negativo para Foz Tua Por: / Secção: Actual / 01-03-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Associação ambientalista Quercus reforçou a sua posição “muito desfavorável” em relação à construção da barragemJá está na posse da Agência Portuguesa de Ambiente o parecer da Quercus ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) sobre o Aproveitamento Hidroeléctrico de Foz Tua (AHFT). Após “análise detalhada”, os ambientalistas reforçaram a sua posição “muito desfavorável” à construção da barragem. Os ecologistas dizem que o EIA confirmou que o Vale do Tua é, “ao nível da biodiversidade, umas das regiões mais ricas do País, apresentando várias espécies que possuem estatuto de protecção”, pode ler-se no comunicado. Para a Quercus, o facto da albufeira se prolongar ao longo de mais de 30 quilómetros do vale, “precisamente na zona ecologicamente mais sensível”, vai destruir em grande escala o sistema ecológico. A fauna e flora também são, segundo o parecer, afectadas com o aproveitamento hidroeléctrico, “dadas as relações de interdependência existentes nos ecossistemas, mas merecem destaque toda a flora termófila (flora de leito de cheia) e os quirópteros (morcegos), que existem em grande número”. Também a avifauna sai prejudicada, nomeadamente espécies protegidas como a Águia de Bonelli, o Falcão peregrino, a Cegonha negra, o Chasco preto - este em situação de pré-extinção – ou o Melro d’água. Pensa-se que o Vale do Tua abrigue 19 por cento das espécies protegidas de répteis e mamíferos. Para os ambientalistas, também as paisagens e a identidade do vale serão “irremediavelmente afectadas, o que constituirá um empobrecimento da região”. “Acresce o facto da zona afectada pela própria barragem e o troço a jusante, que será bastante desconfigurado com obras de escavação, estarem incluídos na Paisagem do Alto Douro Vinhateiro, reconhecido pela UNESCO como Património da Humanidade, sendo que esta intrusão é penalizadora para este tipo de classificação, embora o EIA, reconhecendo-o, o procure minimizar”, pode ler-se no documento. A Quercus lembra que o único efeito positivo que resultaria da construção específica do AHFT “surgiria à escala do País e não da região”, beneficio que se traduzirá apenas na produção de energia hidroeléctrica. Em resumo, os ecologistas defendem que a construção da barragem de Foz Tua teria impactos “muito negativos” ao nível da paisagem, da ecologia, da sócio-economia e do património, “inviabilizando um verdadeiro plano de desenvolvimento para a região” e contribuindo para a “desertificação humana” destes locais.
Alternativas à barragem
Depois de se mostrarem desfavoráveis à construção da barragem, os elementos da Quercus apresentaram algumas propostas que possibilitem o redireccionamento dos investimentos para outras vertentes. A sugestão vai no sentido de reabilitar a linha do Tua, “substituindo e requalificando, se necessário, todo o equipamento ferroviário, em todo a sua extensão, até Bragança”. As alternativas passam também pela ligação da Linha do Tua a Puebla de Sanábria, à rede ferroviária espanhola, “de forma a facilitar e potenciar a afluência à região, seja em visita ou em trabalho, reabilitando ao mesmo tempo as estações e apeadeiros, transformando-os “em locais de venda de gastronomia e de artesanato locais” Em relação ao abastecimento de agua a Quercus propõe que sejam construídos açudes nos troços superiores dos rios, de forma a garantir “uma excelente qualidade da água e facilidade no abastecimento”. “Estes açudes poderiam ter aproveitamentos do tipo mini-hídrica, direccionando a energia para o abastecimento directo das populações locais, revertendo as receitas geradas para as autarquias locais”, defendem. Os ecologistas sugerem ainda que se elabore um programa de incentivos para o desenvolvimento da hotelaria de baixa intensidade na região, nomeadamente hotéis, pousadas, turismo de habitação e que se promova o Vale do Tua “pelo que de melhor tem: Paisagem e Natureza”. Os ambientalistas aconselham ainda que se fomente todo o tipo de actividades turísticas ligada à natureza, garantindo “o escrupuloso respeito pelo meio ambiente”, criando por exemplo uma pista de canoagem “para provas nacionais e internacionais”, bem como o estímulo da pesca desportiva. A Quercus recomenda ainda que os investimentos possam ser redireccionados para a criação de parques industriais que transformem os produtos típicos da região - azeite, vinho e cortiça – em parcerias com forte ligação às Universidades e às novas tecnologias.

1 Comentário
Espero que se atente nos verdadeiros valores nacionais, regionais e locais, porque a presente crise mostra que muita coisa reside num tipo de vida não rigoroso, nem transparente nem sustentável.