“De Quando em Vez”

A importância político-estratégica da Base Aérea das Lages
 
No passado dia 16 de Março de 2003, as atenções de todo o mundo viraram-se para a Base Aérea das Lajes, no Arquipélago dos Açores onde o Presidente dos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e Portugal estiveram reunidos para tentarem encontrar uma solução capaz de ser evitado o confronto com o Iraque. Na data em que escrevemos (20 de Março), a guerra começou, deitando por terra todas as tentativas de paz em cima referidas.
Também, já em dezembro de 1971, aconteceu uma cimeira nesta Base Aérea, onde se reuniram o Presidente Nixon, pelos Estados Unidos, George Pompidou, pela França e Marcelo Caetano por Portugal. A razão de ser desta cimeira teve a ver com a consolidação dos mecanismos de defesa do Atlântico Norte, numa época em que o Bloco Soviético ainda incomodava.
De facto, a despeito dos mísseis e de novas armas teleguiadas, ainda hoje se considera o Arquipélago dos Açores como chave mestra na defesa do Atlântico Norte.
Igualmente nas duas últimas guerras mundiais, o seu aproveitamento como base de apoio à navegação foi influentíssima, se não decisivo no despacho da contenda naval.
A nossa presença ao navio S. Miguel que, com carga e passageiros se dirigia para Ponta Delgada, perderam heroicamente a vida o Comandante Carvalho Araújo e alguns dos seus companheiros, no dia 14 de Outubro de 1918, um mês antes de terminar a 1ª grande guerra. O combate desproporcionado entre o navio português “ Augusto de Castilho” parcamente artilhado, com o submarino alemão “U-139” com os seus torpedos – refletindo a têmpera rija dos homens que o tripulavam – mostrou como a noção do dever era interpretada, no mais alto nível, pelos marinheiros portugueses.
Só mais tarde e no decurso da Segunda Guerra Mundial a posição dos Açores foi considerada pelos americanos como teste de ponte para a Europa, de importância transcendente na estratégia conjunta das Forças Armadas.
De facto, o ano de 1940 foi para nós, portugueses, de grande ameaça no que diz respeito ao Arquipélago dos Açores, pois o Almirante Raeder, chefe supremo da esquadra germânica, fez sentir a Hitler a necessidade da sua ocupação imediata do nosso País em guerra ceder as suas preciosas bases ao seu aliado britânico.
Segundo hoje se sabe, o Fuher tinha na realidade a ideia de fazer um desembarque nos Açores, e possivelmente nas canárias, de acordo com a Espanha, que sempre a tal se opôs, devido à existência do pacto peninsular. Porém, Hittler pensava fazê-lo em Outubro de 1941, quando terminasse a campanha da Rússia, para preparar ataques aéreos aos Estados Unidos da América.
Entretanto, Portugal, com sagacidade, prepara a defesa dos Açores e age diplomaticamente com determinação, reafirmando a todo o mundo, a indefectível resolução de defender, até ao limite das suas forças a sua neutralidade e os seus direitos legítimos contra todo e qualquer de que pudesse ser objecto.
Assim, após alguns trabalhos da nossa engenharia militar, conseguiu-se preparar uma pista sofrível, nascendo assim a Base Aérea nº 4, designação que mais tarde crismaria a actual unidade das Lajes. (ficou aqui)
Mas, voltando a 1941, deve acentuar-se que a Esquadrilha de Aviação de Caça nº 2 de Aviões gladiatos com sede na Base Aérea de Espinho, comandada pelo então Capitão Machado de Barros, vila-realense de S. Pedro, hoje general na situação de reforma, o qual se instalou no planalto da Achada, relativamente próximo das Lajes, em 22 de Junho de 1941.
Mais tarde, em 1943, no auge da guerra submarina, a Grã-Bretanha invoca a velha aliança de 1373, e consegue do nosso governo as seguintes facilidades:
. Livre acesso em S. Miguel e Ilha Terceira ao emprego dos aviões de reconhecimento.
- Utilização da pista das lajes.
Em 1944, as Forças Armadas Americanas começaram a utilizar as Lajes no início do mês de Outubro, em virtude do acordo luso-americano. Terminado o prazo de cedências aos ingleses, a unidade sob a designação de Base Aérea nº 4 é reorganizada e assume a sua total funcionalidade.
Assim, a Base Aérea das Lajes, desde 1943, veio para pôr em evidência a Importância da Ilha Terceira e sua Base Aérea.
Após 1976, os Programas da Força Aérea Portuguesa para a reparação e desenvolvimento das Lajes foram novamente reactivados após o términus da guerra do Ultramar.
A concretização do acordo de 1979, concedendo *a USAF – United Air Force – facilidades na utilização da Base Aérea das Lajes, até Fevereiro de 1983, revê como efeito secundário a preparação de planos e o início da sua concretização, visando dotar os Açores e em especial a Base, de instalações e infra-estruturas que lhe permitam melhor responder no contexto duma estratégia atlântica ao papel que indubitavelmente lhe compete.
Finalmente, a Base das Lajes, longe de perder a sua importância com o advento de novos meios aéreos, bem pelo contrário, assume-se e prepara-se para desempenhar com a contribuição muito clara da Força Aérea Portuguesa, um papel de extraordinária e decisiva importância na defesa da civilização ocidental, pese embora a actual redução dos efectivos militares e civis em curso que muito estão a preocupar a Ilha Terceira e os Açores, em geral. Esperemos por melhores dias.
O bom senso de todas as entidades envolventes irá prevalecer.