Dos passos em frente

Não me enganei caro leitor, escrevi Dos e não quis escrever dois passos na fórmula leninista de um passo à frente, dois passos atrás, porquanto no tocante a Passos (Coelho, como escrevi várias vezes, politicamente estava inerte), sendo necessário ao PSD caso queira recuperar o poder, primacialmente tem de recuperar a confiança de pelo menos um milhão de votantes levando-os a varrerem da memória palavras e acções ditas e aplicada no decurso do governo passista e afrontosamente passadista.
Esse governo afrontou os detentores de «lepra canosa) que tanto trabalharam e centenas de milhares cumpriram o dever de servir a Pátria, nada receberam em troca, antes pelo contrário muitos deram a vida, outros, sangue de lágrimas, ficaram humilhados e por isso mesmo deram vazão à cólera votando fora do seu partido habitual. As mulheres e os homens sabiam da necessidade de conseguirmos superar a desastrada herança de Sócrates, nunca regatearam o exercício de «apertar o cinto», protestaram e continuam zangados dada a maneira como lhe foi imposta a canga dos sacrifícios e os sorrisos alarves de governantes entusiasmados em irem para além da Troika. Lembram-se? A larga maioria lembra-se, por tal razão possibilitaram o «golpe astucioso» de Coata, ficando alegres ao entrarem nas suas contas os euros perdidos. Os ses, os assim, a acusação de Costa ser um sortudo, apenas ajudam os comentaristas, ao povo interessa-lhe receber, interessa-lhe pagar menos, interessa-lhe desapertar o cinto a rebentar dada a carga dos descontos atribuídos debaixo de todos os pretextos. Ao mesmo tempo, o povo essa entidade abstracta rugia interiormente ao conhecer os casos BPN, BANIF e BES & Cia. As redes sociais faziam e fazem o resto que é muito, o apagamento do partido interclassista, social-democrata atacado pelo vírus do neoliberalismo.
A espinhosa missão de reconciliar o PSD com o seu tradicional eleitorado só por si vai obrigar Rio a desfazer-se dos papagaios falantes muito dados a copianços e mimetismos teóricos que soletram conforme as ondas e nuvens da moda, muitos deles detentores de títulos concedidos por Escolas sem passado, sendo eles desconhecedores da cronologia da História de Portugal, quando mais da vida quotidiana das Comunidades ao longo dos séculos.
O antigo autarca não teve tempo de ouvir o hino partidário até ao fim, bastou ter escolhido uma transmontana controversa para lhe cair em cima o Carmo e a Trindade mediática, bastou ter visitado António Costa, bastou ter reafirmado o desejo de recolocar p Pardito do centro ideológico de onde nunca devia ter saído para todos os diabos escondidos e fora do circuito vinhaense do início da Quaresma lhe lançarem brasas incandescentes sopradas pelos agoniados dirigentes dos partidos mais pequenos da geringonça.
Obviamente, Rio não nenhum menino de coro, tem obrigação de saber marcar a agenda, colocar nos «eixos» os rapazes e as raparigas (elas sabem silvar como se fossem os pastores da Lombada) do grupo parlamentar, cimentar as bases de modo a conseguir os lajedos seguros de modo a disputar as próximas batalhas eleitorais. Se transigir, se não inspirar respeito, se mantiver atributos passistas sucede-lhe o que sucede aos toureiros no Ribatejo que ignoram a qualidade do terreno onde colocam os pés, desconhecem a qualidade do animal e não sabem dominar a muleta vão contra as tábuas.
Ora, Rui Rio não estará disposto a levar uma cornada e bater com os costados nas tábuas. Agora, resta a Rio ter o passo certo numa passada cautelosa e firme