Nordeste Transmontano

Pedido de prospeção de lítio causa apreensão

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 2019-09-05 09:59

Em Macedo de Cavaleiros, a autarquia diz-se expectante mas a oposição, por parte do PSD, já se mostrou contra a possibilidade de este tipo de pesquisa, autorizada em abril, vir a efetivar-se.

 

A possibilidade de alguns dos concelhos do distrito de Bragança, nomeadamente o de Macedo de Cavaleiros, virem a ser alvo de uma prospeção de lítio, está a causar apreensão na região.

O aviso publicado em Diário da República a 10 de abril passou praticamente despercebido, até agora.
“Aviso n.o 6590/2019:

Faz-se público, nos termos e para efeitos do n.o 1 do artigo 6.o do Decreto-Lei n.o 88/90, de 16 de março, que a Fortescue Metals Group Exploration Pty Ltd., requereu a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de ouro, prata, chumbo, zinco cobre, lítio, tungsténio, estanho e outros depósitos minerais ferrosos e mine- rais metálicos associados, numa área denominada “Circo”, localizada no concelho de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Vinhais e Valpaços, delimitada pela poligonal cujos vértices, se indicam segui- damente, em coordenadas no sistema PT-TM06/ETRS89: Área total do pedido: 375,202 km2”, lê-se.
No entanto, o facto de Macedo de Cavaleiros integrar um Geopark da UNESCO e possuir a paisagem protegida do Azibo (que, numa primeira fase, integrava a área incluída na prospeção), está a causar apreensão.

Ainda esta semana, o líder da concelhia do PSD, Nuno Morais, emitiu um comunicado a insurgir-se contra essa exploração.
“A área abrangida pela autorização de prospeção, no Concelho de Macedo de Cavaleiros, envolve as aldeias de Ala, Brinço, Meles, Vilarinho do Monte, Arcas, Nozelos, Ferreira, Mogrão, Comunhas, Amendoeira, Gradissimo, Latães, Lamas, Corujas, Podence, Edroso, Valongo, Espadanedo, Bousende, Soutelo Mourisco, Cabanas, Vilar de Ouro, Murços, Lamalonga, Argana, Vila Nova da Rainha e Fornos de Ledra.
É sabido que a prospeção e exploração de metais pesados e, nomeadamente de lítio, tem impactos muito destrutivos e lesivos no meio ambiente e no modo de vida e subsistência das populações do mundo rural”, lê-se.

A Concelhia do PSD acusa mesmo a autarquia macedense de um “silêncio cúmplice”. “A Comissão Política do PSD de Macedo de Cavaleiros vem publicamente repudiar a autorização de prospeção dada pelo Governo Socialista e o silêncio cúmplice da atual Câmara Municipal.
Neste Contexto, o PSD  de Macedo de Cavaleiros é frontalmente contra a prospeção de metais pesados e, nomeadamente lítio, na área do Concelho de Macedo de Cavaleiros e, estará sempre na linha da frente da defesa dos valores da preservação ambiental, do património natural e das condições de vida da população do nosso Concelho”, lê-se no comunicado.

 

Autarquia fala em “aproveitamento político”

 

Ao Mensageiro, o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, eleito pelo PS, acusa a oposição de “aproveitamento político”.

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