Ricardo Mota

Bode Expiatório…

Existe um local, lá para o nosso Nordeste, o Transmontano, ali num emaranhado de estradas que se entrelaçam, vindas e indo para Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Vila Flôr e Mirandela, é nó ancestral e com história. Não consta, pelo antigos, de ter vivido por aqueles sítios qualquer surdo conotado com a toponímia. Dizem os entendidos que a palavra foi-se adaptando aos tempos sendo de origem invasora mas com toda a certeza designando local de separações e origens, seria Marco/Meco, chegando até nós como Mouco, Cruzamento do Mouco, agora esventrado pelo IP2, numa das fraldas de Bornes.


Dos Confins do Tempo…

Gosto de olhar, observar para além do ver é paixão que transporto agarrado às peles que me vestem o ser. Na infância, no Felgueiras meu berço, todos fabricávamos a torcida que haveria de fazer girar o pião, objecto mágico que enchia os bolsos da rapaziada. Um carrinho de linhas, gasto e de madeira, quatro pregos e um arame, eis os custos de uma máquina de produção de torcidas. A linha eram os nagalhos ou atilhos que já ninguém queria, atados num emaranhado de nós.


Rua da Augusta Figura do Rei...

Pestanejei, fez-se clic na memória, prodigioso, deixei-me ir neste veículo intemporal, autónomo, com a força da natureza, a custo zero, apenas o da mente. E lá vou, no faz de conta, dentro do iate Britânia, de Setúbal ao Cais das Colunas, em Lisboa, tal como o fez a Rainha Isabel II de Inglaterra, há cerca de sessenta anos, em 18 de Fevereiro de 1957, com 31 anos de idade e já cinco de reinado. Existem várias portas de entrada na capital, como as de Benfica, mas esta, a da água, é sem dúvida a mais nobre.