Editorial - António Gonçalves Rodrigues

As CCDR e a regionalização

Estou aí à porta as eleições para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. No que a nós, transmontanos, diz respeito, em causa estará a CCDR-N, a do Norte.
Ao contrário do que costuma acontecer, são dois os candidatos.
Por um lado, Álvaro Santos, candidato proposto por acordo entre PSD e PS. Uma candidatura aparentemente consensual.
Mas uma candidatura que foi desafiada por António Cunha, que ocupou o cargo até agora. Antigo reitor da Universidade do Minho, António Cunha começou por não reunir a simpatia da generalidade dos autarcas do norte.


Mudanças em 2026

O ano de 2025 foi de grandes mudanças no distrito de Bragança. Desde logo, por força das eleições autárquicas realizadas em outubro, que provocaram duas alterações de fundo nas Câmaras de Bragança e Macedo de Cavaleiros.
Se no concelho macedense, a alterância chega ao fim de oito anos de governo socialista, em Bragança foi o PS, com Isabel Ferreira, a chegar ao poder 28 anos depois.


Querem deixar o Interior sem voz

Há decisões que passam despercebidas nos corredores de Lisboa, mas que fazem tremer terras inteiras deste lado da raia. O anúncio do fim da distribuição de jornais pela VASP em vários distritos do Interior, entre eles Bragança, é uma dessas decisões silenciosas que, no entanto, gritam. Gritam pela ausência, pela invisibilidade a que votam os territórios que teimam em existir longe dos grandes centros.


O problema da água

A água é um problema cada vez maior. Sobretudo, a falta dela.
No início de agosto de 2025, mais de 51% dos solos na Europa e na bacia do Mediterrâneo estavam afetados, com 7,8% em estado de alarme e 38,7% em alerta.
Os registos satélite mostram que a percentagem de água no solo é cada vez menor nos países do sul da Europa, de Portugal à Turquia. Basicamente, o deserto está a avançar para norte e Portugal está no meio do caminho.
Os períodos de seca são cada vez mais prolongados, as temperaturas cada vez mais altas.


Feridas que ardem sem se ver...

Um mês e meio se passou desde a realização das eleições autárquicas e do autêntico terramoto político que se abateu sobre o PSD de Bragança.
Os efeitos do embate ainda hoje se fazem sentir em réplicas como a verificada na mais recente reunião da Assembleia de Secção Concelhia, no sábado, e que desenterraram mesmo algumas recordações do fundo do baú.
Outrora aliados, Hernâni Dias e Jorge Nunes estão, agora, em lados opostos da barricada e trocam acusações sobre as responsabilidades de cada um no resultado eleitoral.


Trocas democráticas

Os últimos dias foram pródigos em trocas, com acusações de vira-casacas.
Isto porque um elemento da lista do Partido Socialista (aliás, o número dois) se incompatibilizou com a líder e acabou por passar à condição de independente, tal como o Mensageiro tinha revelado em primeira mão logo na semana seguinte às eleições.
Esse movimento, que a lei autárquica prevê, ameaçou minar a maioria histórica conquistada por Isabel Ferreira.


O primeiro dia...

Dezanove dias depois das eleições autárquicas, esta sexta-feira é o primeiro dia do resto da vida do Município de Bragança.
A votação expressiva em Isabel Ferreira originou uma mudança de ciclo 28 anos depois de o PSD ter conquistado a Câmara ao PS de Luís Mina.
Em quase três décadas muita coisa mudou.
Mas, à ideia, vem a música de Sérgio Godinho:
A princípio é simples, anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no burburinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida


Os sacos estão cheios de violas

As eleições de domingo provocaram um autêntico terramoto político na capital de distrito. A vitória de Isabel Ferreira (foi claramente uma vitória mais da candidata do que do partido que a apoiou) estilhaçou uma série de mitos urbanos construídos ao longo dos últimos anos e obrigou muitas violas a regressarem ao saco (a minha incluída).


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