Editorial - António Gonçalves Rodrigues

Os receios e o Papa Francisco

Nas últimas semanas, têm proliferado as notícias especulando sobre uma possível resignação do Papa Francisco, à semelhança do que fez o seu antecessor, Bento XVI.
A causa da especulação são as dificuldades de locomoção de Jorge Bergoglio (o nome do argentino eleito Papa em 2013), devido a um conhecido problema num joelho.
Que o Papa mancava, já não era novidade. Há muito que eram evidentes as dificuldades físicas do homem que representa Pedro entre o povo de Deus.


Para cá do Marão, sobrevivem os que cá estão

Ficou famosa, há uns anos, a expressão “Para lá do Marão, mandam os que lá estão”.
Um ditado que expressava o isolamento a que a região de Trás-os-Montes foi votada durante séculos, muitas vezes quase esquecida pelo resto do país.
O progresso que se materializou na construção de autoestradas e do túnel que atravessou o coração da serra veio pôr alguma água nessa fervura, que forja o nervo dos que por cá estão.


Um país em contingência

O alerta foi lançado nas páginas do Mensageiro de Bragança logo no início do ano. A falta de médicos obstetras estava a obrigar o hospital de Bragança a transferir, em alguns dias, grávidas para o hospital de Vila Real, a 130 quilómetros. Uma distância que ainda é maior relativamente a outros concelhos, como Vimioso, Miranda do Douro, Mogadouro ou Freixo de Espada à Cinta.


Descentralizar, ‘descompetenciar’ e regionalizar

A expressão ‘descentralização de competências’ entrou, definitivamente, no léxico da política nacional.
Por não concordar com aquilo que foi decidido superiormente pelo Governo, Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, decidiu que a sua autarquia deveria saír da Associação Nacional de Municípios.
O que está em causa é simples.
O Governo decidiu deixar de se preocupar com alguns aspetos da gestão pública, como os funcionários que zelam pelas escolas e centros de saúde, por exemplo, chutando essa responsabilidade para os municípios.


Quando a burocacia não tem juízo, o agricultor é que paga

O alerta surge nas páginas anteriores a este texto. A burocracia, que devia zelar pelo cumprimento de procedimentos e pelos preceitos de segurança é, em muitos casos, fastidiosa e pouco ágil, afetando a evolução de soluções para problemas reais de gente do dia a dia.
Que o digam os agricultores do distrito de Bragança (e de outros pontos do país) que, a partir de 2025, correm o risco de ficar sem o único produto que ainda vai fazendo alguma coisa contra o cancro do castanheiro, uma praga que ameaça um dos fatores de riqueza da região.


O som do silêncio

Simon & Garfunkel são uma das duplas de renome do panorama musical mundial.
Já cantavam, há décadas, sobre o som do silêncio.
Sobre “pessoas que falam sem dizer nada”...
Sobre “pessoas que ouvem sem escutar”...
Sobre pessoas “que escrevem canções que nunca serão cantadas”...
Pois “ninguém se atreveu a perturbar o som do silêncio”.
Um silêncio que “cresce como um cancro”.


A anormalidade do novo normal

Durante um ano e 11 meses, o mundo como o conhecemos ficou virado de pernas para o ar.
A chegada ao nosso vocabulário diário de palavras como coronavírus ou covid-19 passou a dominar a atualidade e os nossos movimentos, que chegaram mesmo a ser amplamente limitados por dois confinamentos obrigatórios.
Foi preciso encontrar novas formas de fazer o trabalho antigo e novos trabalhos para necessidades antigas.


Negócios com ética

Desde que começou a guerra na Ucrânia, uma das consequências mais visíveis no resto do mundo - e Portugal não foi exceção - foi o aumento do preço dos combustíveis.
Nos últimos dias, pulularam as notícias sobre os resultados de empresas petrolíferas. Com tanta dificuldade anunciada na aquisição de matéria prima (crude), era de esperar que essa dificuldade ficasse patente nesses mesmos resultados.
Ora, a Galp, antiga petrolífera estatal, anunciou que os lucros disparam 496% no primeiro trimestre, para 155 milhões de euros.


Quem muda, Deus ajuda... mas o homem parece que não

Há um ano, foi notícia a iniciativa da Câmara de Bragança, que lançou um concurso para captar famílias para a região, durante um mês, de forma a tomarem contacto com a realidade do Nordeste Transmontano e poderem, no futuro, tornar-se residentes.
A ideia foi boa mas, 12 meses volvidos, nenhum dos casais selecionados ficou no concelho de Bragança. Alguns nunca mais cá voltaram sequer.


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