José Mário Leite

O Rabudo e a Chumbeira

O anzol e o tresmalho tinham uma utilização residual. As artes de pesca mais usadas, na ribeira da Vilariça, no tempo em que os peixes abundavam, vindos do Douro e do Sabor subindo pelo vale acima, chegando a ribeiros e até ribeirinhos, eram o rabudo e a chumbeira.


O Facilitador

Os militantes do PSD elegeram Rui Rio convictos de ser o melhor para afastar o Partido Socialista do poder (abrindo espaço para os sociais-democratas), contribuir decisivamente, como o próprio assumiu, para acabar com a esquerdista geringonça ou, no mínimo, liderar inequivocamente a ala direita da política portuguesa.
Tenho Rui Rio por homem sério e bem intencionado. Mas tal não basta para ser escolhido pelos portugueses para substituir António Costa, nem tão pouco para garantir a realização dos almejados propósitos com que se comprometeu


STAY AWAY (Fracas Qualidades)

Logo que ficou disponível, instalei, no meu telemóvel, a aplicação Stay Away Covid. Por três razões: é voluntária, mantém o anonimato e apoia o útil rastreio, deteção e confinamento de possíveis focos de disseminação da Covid 19. É uma ferramenta evoluída, segura e útil. Mas não é, obviamente, o Santo Graal do necessário combate à pandemia. Tem, reconhecidamente, algumas virtudes que são, igualmente, as suas maiores fraquezas, sobretudo se fosse tornada obrigatória como insensatamente queria o Primeiro Ministro.


Desconfinar? Sim, mas devagar

À falta de vacina, de imunidade de grupo e de tratamento eficaz é necessário adotar as melhores práticas para conviver com o coronavírus porque, independentemente dos resultados positivos obtidos, um pouco por todo o lado, está aí, não se foi embora nem está de partida. Estando posta de lado, e bem, a opção de confinamento total é necessário adequar a atuação à situação. O que, não sendo impossível, não é fácil. Há dois fatores nesta pandemia que dificultam muito a determinação das ações mais adequadas: o período de incubação e o elevado grau de contaminação.


O inocente e o suspeito

José Sócrates continua inocente, até que um tribunal, eventualmente determine o contrário (ou, porque não, confirme e decrete a sua inocência). Luís Filipe Vieira, é e continuará suspeito e indiciado de vários crimes enquanto não for ilibado, podendo sê-lo, a qualquer momento (mesmo antes da publicação desta crónica).


O novo normal!

Apesar dos avisos, mais ou menos alarmista de muitos especialistas, foi-se sedimentando a ideia, a esperança, a expectativa de que após o confinamento, passado que fosse um período, mais ou menos longo, mas razoável, de desconfinamento, controlado, tudo regressaria ao normal.


Próximo!

– Próximo! Quem é o próximo?
Apressado, quase assustado, o idoso dirigiu-se à secretária de fórmica branca onde, interrogativo, observando-o por cima dos óculos, com ar incomodado, o funcionário das Finanças apressava-o com o olhar insistente. O contribuinte apertava as mãos e, falando baixo, mal se ouvia. Deduziam-se as suas palavras pelas respostas e interrogações do servidor público, e já com ar de poucos amigos. Teria, provavelmente, sobejas razões para não estar bem disposto.
– Para pagar o IRS? Sim senhor. Mostre-me a nota de liquidação...


Uma oportunidade única dificilmente repetível

Vem aí mais dinheiro, da União Europeia. Muito mais e com uma larguíssima fatia a fundo perdido. Esta característica tem uma relevância enorme porque com financiamento total e integral a capacidade financeira de cada município deixa de ter qualquer relevância. Já não importa a dimensão nem a folga orçamental nem tão pouco a capacidade de endividamento. Veja-se, a título de exemplo o que acontece em ciência onde os projetos nacionais e da União Europeia são, normalmente, na sua totalidade suportados pelas entidades financiadoras.


O MISTÉRIO DO CONTO DO TOURO AZUL

O meu livro de contos “Canto d’Encantos” começa á volta de um dos mais extraordinários contos, tão extraordinário quanto nunca fora ouvido mas muito falado nos recantos da minha aldeia onde nos juntávamos, quando crianças, para ouvir e contar contos, histórias, ditos e outras coisas que se diziam e escutavam, naquele tempo. Por maior e melhor que fosse a narração ali trazida, se entre os ouvintes estivesse o Eurico Abade, era certo e sabido que no final comentava sempre e sem qualquer exceção: “O mais bonito é o Conto do Touro Azul”.