31 de Dezembro

No último dia de cada ano manda a tradição que se façam festas em honra do ano novo pedindo aquilo que, na maioria dos casos, depende de todos e de muito poucos (paz, erradicação da pobreza, saúde e, em geral, felicidade).
Tornou-se um lugar comum dizer que o mundo está perigoso e que o paradigma da desigualdade tem agravado as tensões e a iminência de conflitos de proporções cada vez mais trágicos.


O folhetim da CGD

O país tem vindo a assistir a um dos mais insólitos episódios político-financeiros com a nomeação do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD).
O banco público foi, infelizmente, palco de interesses político-partidários que desvirtuaram a essência da sua natureza e fragilizaram a sua capacidade de intervenção como estabilizador do sistema financeiro e garante do suporte estratégico para o desenvolvimento de projetos estruturantes e capazes de ter um efeito indutor na economia portuguesa.


A Grécia, Portugal e a Europa

Vivemos um tempo onde a vertigem dos acontecimentos deixa pouco espaço para uma reflexão cuidada e que sustente uma visão estratégica a prazo. O mundo, e naturalmente a Europa, são governados por poderes ocultos, não escrutináveis, que têm destruído equilíbrios absolutamente fundamentais que vão do ambiente à economia e da demografia à coesão social. O dinheiro, e o poder que incorpora, está sob a alçada de um punhado de “gigantes” que amedrontam e condicionam a vida das sociedades e dos povos.


Sócrates: O processo

Confesso a minha estupefação ao ter sido surpreendido pela notícia radiofónica da detenção de José Sócrates e, antes de ouvir mais nada, veio-me à memória a possibilidade de, num acto tresloucado, ter assassinado alguém. Segundos depois percebi que, afinal, à hora marcada, magistrados, polícias, televisões, jornais e rádios aguardavam ansiosos a chegada do avião em que José Sócrates viajava de Paris para Lisboa para o deterem para um interrogatório sobre matérias sobre as quais não havia indícios de “crime de sangue” nem de flagrante delito grave.


António Costa: mobilizar Portugal e os portugueses

Confesso que desde há bastante tempo tenho sido desconfortado com esta sensação tão desanimadora de não sentir qualquer estímulo para a intervenção política. A degradação da qualidade da democracia, o abandono dos melhores e mais competentes da militância partidária, a ascensão às lideranças dos partidos do arco da governação de pessoas que são o produto dos “aparelhos partidários”, o domínio dos partidos por lógicas de aparelho que afastam os cidadãos da intervenção política, tudo isso me fez afastar do entusiasmo com que durante toda a minha vida intervim na política partidária.