A opinião de ...

Uma questão de respeito

A luta contra a disseminação do novo coronavírus, o Covid-19, tem sido um desafio para todos, em todo o mundo.
Em Itália, a taxa de mortalidade do vírus escalou acima do previsto e do que aconteceu nos países asiáticos, ultrapassando os seis por cento.
O elevado envelhecimento do país tem sido apontado como um dos principais problemas e uma das causas para esse efeito.
Em Portugal, os últimos sete dias foram pródigos em anúncios de novas medidas, que incluíram o teletrabalho, o encerramento de estabelecimentos, serviços públicos, escolas e até de fronteiras.
O cenário tem sido caracterizado pela novidade. O vírus é novo, as suas consequências são novas e a forma como a sociedade atual tem lidado com o problema também é nova, como novos são os desafios que nos coloca a todos.
A Igreja voltou a estar na linha da frente no apelo à responsabilização e no exemplo. A Conferência Episcopal Portuguesa anunciou uma medida nova, que passa por uma eucaristia “sem povo” mas “pelo povo”.
D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda e presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade (CELE) da Igreja Católica em Portugal, disse que a suspensão da celebração comunitária das Missas “é uma experiência nova” mas é uma medida necessária para “guardar o bem maior”.
“Não deixamos de ter a Eucaristia celebrada e adorada mas sem a participação do povo e o exemplo vem do Papa Francisco que todos os dias permite que seja transmitida da sua residência, na capela de Santa Marta”, assinalou D. José Cordeiro.
Sobre as celebrações em direto nos meios de comunicação social, nas páginas da internet e nas redes sociais, D. José Cordeiro observa que é a “participação possível neste tempo de crise”, quando a participação ideal “é a ativa, consciente, e frutuosa que exige a própria presença e exige a assembleia como presença de Cristo na presença de quem preside”.
“O uso dos meios de comunicação pode ajudar a reforçar laços para não ficarmos privados muito tempo da assembleia, da comunidade. Os sacramentos são os sinais que geram a comunhão, a vida, a missão”, desenvolveu em declarações à Ecclesia.
Esta é uma medida especialmente relevante num dos distritos mais envelhecidos do país e onde a disseminação do vírus pode atingir contornos mais dramáticos.
Pelo Nordeste Transmontano, e dada a sensibilidade da região, a responsabilidade individual e coletiva ganha especial relevo. Mais uma vez, a Igreja deu o exemplo.
Cabe-nos, a todos, encontrarmos formas de alterarmos o nosso quotidiano sem que isso altere a nossa essência.

Por cá, vamos fazer os possíveis com a nossa missão de o informar, apesar das restrições de circulação e de distribuição. Mantenha-se, por isso, atento ao nosso site (www.mdb.pt), onde teremos o máximo de informação possível e disponível sem restrições. Porque uma sociedade informada é uma sociedade mais forte. O ReMedia Lab da Covilhã lembrava esta semana que alguns estudos têm revelado que, por um lado, o povo português é dos que mais confia nas notícias e, por outro, os media regionais são marcas que mobilizam elevada confiança.
Por isso, procuraremos ser o mais rigorosos quanto possível, com as limitações de acesso às fontes que se colocam atualmente. Não embarcaremos no populismo fácil da divulgação de suspeitas sem confirmações oficiais nem revelaremos nomes ou pormenores que possam identificar casos positivos, por mais que no-lo peçam. Citando o investigador Pedro Jerónimo, que recordou as palavras do jornalista brasileiro Rosental Alves: “É correto ser o primeiro, mas primeiro é preciso estar correto”.

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