José Mário Leite

O Frankenstein

No quadriénio de 1993-1997 trabalhei de perto e com frequência com vários técnicos da CCDRN (na altura apenas CCRN). Estava em curso a maior tarefa de planeamento desconcentrada, com a elaboração e aprovação da primeira geração dos Planos Diretores Municipais, vulgarmente conhecidos como PDM. Estou certo que os grandes centros urbanos teriam levado a bom porto este desiderato, de forma autónoma e sem grandes dificuldades e com reduzidos desvios do verdadeiro interesse público.


A PAPOILA DO LIVRE

Conheço várias pessoas que, votaram no Livre, exclusivamente por se reverem nas posições coletivas do partido, sobretudo, nas propostas expressas pelo seu líder e fundador. Não conheciam Joacine de qualquer outro lugar para lá da sua titubeante e enervante (não temos que ter medo das palavras quando estas traduzem a realidade) participação no programa do Ricardo Araújo Pereira. Hoje, perante as posições e atuações conhecidas da deputada, não escondem a sua desilusão e até arrependimento por terem colocado a cruzinha à frente do logótipo da papoila que representa o partido de RUI TAVARES!


JÁ NÃO HÁ RESTAURANTES À BEIRA DA ESTRADA

Nos épicos anos de setenta e oitenta, viagens com mais de cem quilómetros eram planeadas, tendo em conta o restaurante onde se haveria de parar não só para descansar, mas também para almoçar, jantar ou só merendar. Ficavam à beira da estrada e eram sobejamente conhecidos. Havia-os que se especializavam em comidas rápidas para os mais apressados ou para ainda ter uma refeição, fora de horas, para os mais noctívagos. Alguns deles abriam e fechavam de madrugada. Já não há. Desapareceram. Por “culpa” das auto-estradas e das vias rápidas.


(IN) JUSTIÇA

Na avenida Abovian, a mais antiga de Erevan, capital da Arménia, junto ao elegante e luxuoso Hotel Alexander, ergue-se uma enorme vivenda, usando como material de construção a negra rocha magmática, tão típica e característica da região. Esta área constituía, no início do século passado, o bairro mais rico e elitista da cidade. Viviam aqui as famílias mais abastadas e esta casa, em concreto, pertencia a uma família de médicos, famosa e bem sucedida. Tal como outras foi perseguida, alguns dos seus membros presos e outros conseguiram escapar.


Memória de papel

O título desta minha crónica poderia, numa primeira análise, remeter para a memória dos computadores que, devido aos trabalhos recentes da investigadora Elvira Fortunato, podem, num futuro breve, basear-se em transístores de papel. Não é disso que se trata, embora ande perto dessa quase realidade que se adivinha para muito breve. Li, recentemente, que a era dos cyborgs será inevitável e está próxima. De facto já começou! Ainda não chegou o homem biónico mas o seu predecessor já existe e está entre nós.