José Mário Leite

A Outra Medalha

Ana Teresa Tavares é investigadora do CEDOC (Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova de Lisboa) e do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada, igualmente de Lisboa). Conheci-a há perto de uma vintena de anos, era ela ainda estudante do Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biomedicina, orientado pelo professor António Coutinho e que era, na altura, conhecido como o Programa dos Superdoutores. Fez o seu primeiro pós-doutoramento no IGC (Instituto Gulbenkian de Ciência), onde convivemos durante alguns anos.


O Risco e o Medo

No início de 2018, precisamente dois anos antes da declaração da Pandemia Covid19 pela OMS, foi publicado o livro FACTFULNESS escrito pelo médico sueco Hans Rosling (falecido em 2017), em co-autoria com o seu filho Ola Rosling e a sua nora Anna Rosling Rönnlund. A partir da Base de Dados, elaborada pelo trio através da Fundação Gapminder, o consultor e especialista em Saúde e Desenvolvimento disserta sobre a atualidade e sobre o futuro próximo, tanto quanto é possível prever, com alguma certeza.


Espelhos e Janelas

Alexandre Quintanilha, cientista, fundador do IBMC, no Porto e deputado socialista, em discurso recente, na Assembleia da República, apontou a mentira como o maior inimigo da democracia. Sobretudo nos momentos de crise porque a mentira é sempre assertiva, nunca tem dúvidas e, sobretudo, porque se baseia na ignorância e explora as fragilidades de quem a ouve. É ainda muito perigosa porque esconde interesses poderosos, políticos, ideológicos e económicos.


A Cultura e a Pandemia

Quando a Covid 19 nos invadiu e tomou de assalto as nossas vidas, apanhou de surpresa tudo e todos não deixando de lado, obviamente, os autarcas e demais dirigentes regionais. Atarantados, como todos nós, reagiram, a seu modo, pensando fazer o melhor, suponho e facilmente lhes concedo tal crédito, tomando medidas que lhes pareceram adequadas, óbvias, intuitivas, mais fáceis, melhor entendíveis pela população que representam. Tendo sido adotadas, de supetão e inesperadamente, nem todas terão sido as mais adequadas. Seria fácil criticá-las, mas não seria justo. Não vou por aí.


O 4 e o 5 (entre o 8 e o 80)

Há um ano era proclamado, em Portugal, o primeiro Estado de Emergência da nossa Democracia. Perante um inimigo terrível, invisível e dramaticamente eficaz, surgiu entre todos, sem quaisquer exceções, dignas de monta, um consenso sobre a necessidade de recorrer a todas as armas disponíveis para fazer frente a tão poderosa ameaça. Esta união e consenso, à volta da defesa, perante a ameaça, justificavam-se por causa do terror com que éramos fustigados, todos, por igual. Mas, com o andar do tempo desfez-se a unanimidade precisamente porque o primeiro dos pressupostos não se manteve.


Bazuca

Não tenho opinião formada sobre António Costa e Silva, cruzei-me com ele, apenas uma vez, na Gulbenkian, mas não duvido das suas competências, não só pelas notícias públicas como ainda pela confiança que me desperta ter sido escolhido para liderar a Partex por Eduardo Marçal Grilo um dos administradores mais sensato, prudente e zeloso da Fundação da Praça de Espanha. Nada do que escreveu, divulgou e defendeu merece, grande reparo ou oposição. Sendo esse, precisamente, o seu mais provável defeito.


Bom senso e vergonha alheia

stive, recentemente, no Centro de Saúde de Vila Flor a acompanhar um familiar que ali ia receber a primeira dose da vacina para a Covid 19. Apesar da exiguidade das instalações e das regras de distanciamento, rigorosamente cumpridas, estava, antes das nove horas, tudo perfeitamente organizado para que às nove e meia se desse início à vacinação, como estava previsto.


Ai Catalunha!

Quando o tema é o nacionalismo e o direito histórico de todos os povos à sua autodeterminação fica difícil distinguir, claramente, o que é justo do que é injusto; o que é bom do que é mau; o que é legítimo do que é ilegítimo; o que é legal do que é ilegal.


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