Manuel António Gouveia

O passeio do senhor Henrique

O senhor Henrique, com o seu metro e setenta de altura, o seu discreto bigode e um penteado clássico, é notado pela elegância, o bom gosto no vestir e a leveza no caminhar.
Tido como um homem bom é, de facto, uma pessoa calma, aconselha quem lhe pede uma opinião, e como grande conversador, não raro se encontra à volta de uma mesa, rodeado de amigos, saboreando o seu café.


Soaram os alarmes

Há muito tempo que soaram os alarmes, e há muito tempo que tanta gente os não ouviu soar – o que é trágico!
O não ouvir soar os alarmes é, primeiramente, ter-se o ouvido muito duro; depois, mesmo que o ouvido não acuse dureza, o não ouvir os alarmes é sinal de indiferença, despreocupação, falta de visão, falta de iniciativa, de coragem e de estratégia de defesa.


O ferrete cíclico dos incêndios II

Em agosto de 2015, publiquei neste Jornal um apontamento sobre o tema dos incêndios, no qual me referi à impensável frequência com que vinham a acontecer, tal como às suas graves consequências.
Nessa altura, não tinha havido o massacre de 2017 e já nos queixávamos de tantos e tão maléficos momentos!
Em 2017, não opinei sobre eles e não me lembro de ter feito qualquer artigo sobre algum que tenha acontecido em anos seguintes.


O Iceberg II

No meu artigo “O iceberg”, que foi publicado neste mesmo jornal, em fins de 2016, informava que eu e a minha equipa acordáramos em voltar ao iceberg que tanto nos intrigou, mas que, por falta de preparação, pouco ou nada adiantámos sobre as suas caraterísticas, com particular dificuldade em compreender o que haveria por baixo desse monstro, pois que uma desmedida quantidade de imundície nos impediu de fazê-lo com as ferramentas que leváramos connosco.


Este barulho insuportável

Vivemos rodeados de constante barulho.
A televisão, a rádio, os aviões, os anúncios publicitários, os cinemas, os automóveis, os trilhos dos comboios, os altifalantes nas manifestações, os pregões nas feiras; e, para além do estrondear dos foguetes, o significativo barulho dos carrocéis nos arraiais; e, também nos arraiais, o barulho dos conjuntos que dão animação aos bailes – todos eles são grandes fontes de poluição sonora que muitas vezes nos deixam perplexos e perturbados!


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